Radicais em Portugal

Mais de uma dezena de elementos do movimento radical político-religioso Jamate Islami, de raiz paquistanesa, estão radicados em Portugal e a sua presença tem sido motivo de preocupação de alguns responsáveis islâmicos moderados. Parte destas preocupações prendem-se justamente com a questão religiosa: “Os responsáveis da Jamate Islami, com frequência, falam uma coisa e fazem outra, usando o Islão em seu proveito pessoal e em proveito das suas ideias radicais”, disse ao CM o líder de uma comunidade islâmica.
28.01.08
A sua presença é tanto mais preocupante quanto há indícios de que, desde 2003, a Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL) é dominada por facções mais ortodoxas e ‘obscuras’ e o nosso país é referenciado no mundo da Jihad como um local de refúgio – embora não seja encarado como alvo, o que leva os responsáveis da segurança portuguesa a admitir que um atentado terrorista islâmico em Portugal é “difícil de acontecer”.
Embora o movimento Tabliq Jamat seja considerado pelos responsáveis da CIL como uma organização não radical, presente no nosso país desde 1979 e com objectivos puramente de pregação e de reavivamento da fé, nos encontros organizados por estes pregadores de vida austera, que dormem no chão, muitas vezes nas próprias mesquitas, acorrem elementos de várias facções, das moderadas às mais radicais.
Não falta quem considere os Tabliq Jamat, em Portugal alegadamente liderados por Ismael Lunnat, como uma facção radical ligada à al-Qaeda que, através das revistas publicadas pela Mesquita do Laranjeiro, equipara o cinema e o teatro infantil à pornografia. Também a Comunidade Educativa de Palmela, sob a responsabilidade do xeque Ismael, é uma organização considerada como ligada aos Tabliq.
Segundo uma fonte próxima aos meios islâmicos, as facções mais radicais têm, nos últimos anos, aberto pequenas mesquitas, só conhecidas por alguns, sob a fachada de vários estabelecimentos comerciais ou de apartamentos, nomeadamente, em Aveiro, Viseu, Porto e Algarve, para além da área da Grande Lisboa.
LIGAÇÕES TERRORISTAS
Um dos fundadores do extinto instituto Ibn Qassi (pró-xiita), Fatima Sabah, afirma sobre as detenções de Barcelona na última semana: “Mais uma vez terroristas presos na Europa, como no 11 de Março, de uma ou outra maneira, estão ligados a Portugal. É pela primeira vez referida oficialmente a realização de encontros de uma organização classificada de terrorista, os Tabliq, que se movimenta tranquilamente na Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL). Não é a primeira vez que se fala em Portugal nos Tabliq Jamat e em Ismael Lunnat. Por cá são um grupo de solidariedade social. Afinal parece que as secretas europeias é que têm razão. Começa a despontar o medo de Portugal deixar de ser apenas um santuário e local de passagem para operacionais”.
Recorde-se que o sunita Ismael Lunnat integra a direcção da CIL e é referenciado como o verdadeiro ‘homem forte’ da Mesquita, dando livre curso aos militantes do movimento a que pertence.
ABERTA A TODOS OS CRENTES
“A Mesquita Central de Lisboa não sofre qualquer influência de nenhum movimento ideológico do Islão. Está aberta a todos os crentes”. Quem o garante é o sheik Munir, o imã (líder religioso) do principal lugar de culto muçulmano da capital portuguesa.
O clérigo islâmico reconhece que, no entanto, há elementos do movimento Tablig Jamat que frequentam a mesquita, “tal como outras pessoas” não ligadas a este grupo.
“O movimento também faz reuniões na mesquita, como noutras no País, seja em Odivelas ou no Laranjeiro”, frisa Munir, acrescentando: “Basta em qualquer lado haver pessoas que se queiram reunir em nome da fé e um local de culto”. O movimento está referenciado em Portugal desde 1979 e tem despertado as atenções das autoridades.
APONTAMENTOS
POLÉMICA
O ‘assalto’ das facções mais conservadoras à mesquita central de Lisboa começou em 2003, num polémico processo eleitoral que levou o banqueiro Abdool Vakil à sua presidência.
VITALÍCIO
Após a alteração dos estatutos, Abdool Vakil tornou-se presidente vitalício da MCL, tendo, na sombra a figura de Ismael Lunnat, tido como membro do movimento Tabliq Jamat.
LISBOA
Fontes próximas das investigações assinalam que já nos atentados em Madrid havia uma pista que indicava a passagem dos terroristas por Lisboa dias antes dos ataques.
LARANjEIRO
A Mesquita do Laranjeiro é tida como dominada pelas facções radicais islâmicas, defendendo o cinema e teatro infantil como pornográficos e a violência sobre as mulheres.

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