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Correio da Manhã

Portugal
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Rajadas de 150 km/h

Ventos com rajadas na ordem dos 150 quilómetros por hora, períodos de chuva intensa e consequentes deslizamentos de terra, cheias e inundações são as previsões do Instituto de Meteorologia (IM) para hoje. As condições meteorológicas são tão adversas que, pela primeira vez, a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) determinou o alerta laranja para todo o território de Portugal Continental e Madeira, devido a ventos excepcionalmente fortes.
27 de Fevereiro de 2010 às 00:30
A força do vento provocou enormes prejuízos no parque de campismo de Santa Cruz, a 23 de Dezembro
A força do vento provocou enormes prejuízos no parque de campismo de Santa Cruz, a 23 de Dezembro FOTO: Carlos Barroso

Este cenário resulta da passagem do Ciclone Xynthia, ou depressão cavada, cuja formação se deu no Oceano Atlântico, a Oeste da Ilha da Madeira, e que percorrerá toda a Península Ibérica. A região mais fustigada pelo centro desta tempestade será a Galiza, em Espanha, podendo provocar inundações nos rios a norte de Portugal. "Estamos muito atentos às bacias dos rios Minho, Lima, Douro, Vouga e também do Tejo. A região da Galiza será a mais afectada de toda a Península e as chuvas intensas podem provocar o aumento do caudal dos rios e consequentes inundações", afirmou ontem Gil Martins, comandante operacional nacional de operações e socorro, acrescentando que no mar a ondulação deverá atingir os nove metros na costa Oeste e seis na sul.

Em estado de prevenção elevado está todo o dispositivo da ANPC, assim como as forças armadas. De forma a evitar situações semelhantes às ocorridas no final de 2009 – cortes de energia na região Oeste –, "a EDP tem 5 mil pessoas para acorrer ao que for preciso e a PT tem 1500 em prontidão". Também a REN já accionou o seu plano de emergência.

Accionado o alerta laranja em todo o País, o segundo mais forte de uma escala de quatro, a ANPC aconselha as populações a limparem os sistemas de escoamento de águas pluviais e a "reduzir as deslocações de carro ao mínimo possível, devido à existência de piso escorregadio e formações de lençóis de água ou ao arrastamento de materiais sólidos para a via".

SAIBA MAIS

TRAGÉDIA NA BEIRA

O mais trágico fenómeno de ventos em Portugal foi o tufão de 6 de Novembro de 1954, em Castelo Branco. Matou duas alunas do liceu, dois rapazes e uma criança. No meio de chuva diluviana, durou apenas uns 30 segundos.

408 KM/H foi a velocidade homologada pela Organização Meteorológica Mundial da mais violenta rajada de vento conhecida. Registou-se em Barrow Island, na Austrália, a 10 de Abril de 1996 à passagem do ciclone Olivia.

IMAGEM SATÉLITE

Às 20h00, o ciclone estava a aproximar-se de Portugal Continental. Na imagem satélite são bem visíveis as nuvens.

RIBEIRA DO PORTO EM ALERTA

Os moradores e comerciantes da Ribeira do Porto continuam em sobressalto devido à possibilidade de cheias no rio Douro. Ontem, apesar dos receios, os piores cenários não se verificaram, mas o alerta mantém-se para o fim-de-semana. Todavia, o negócio dos barcos que circulam no Douro está a ser afectado pelo mau tempo.

INDEMNIZADO EM 200 MIL EUROS

O Tribunal Central Administrativo do Norte condenou o Instituto da Água a pagar uma indemnização de quase 200 mil euros ao proprietário de uma vacaria em Formoselha, Montemor-o-Velho, pelos prejuízos causados pelas cheias do Mondego há nove anos. Os juízes revogaram a decisão contrária da primeira instância.

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