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Correio da Manhã

Portugal
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Rapaz de 14 anos ferido com bomba

As crianças de Lanhelas, terra de fogueteiros, nos arredores de Caminha, têm por hábito ir à procura de pequenas bombas artesanais nas instalações de uma velha fábrica de pirotecnia selada pelas autoridades, em 2002, após uma série de explosões.
15 de Janeiro de 2007 às 00:00
Há tempo que o presidente da Junta de Freguesia, Rui Fernandes, prevê uma desgraça na terra. Na sexta-feira, dia 12, Lucas, de 14 anos, fez o que os rapazes de Lanhelas costumam fazer: entrou na fábrica e saiu de lá com, pelo menos, 16 bombinhas no bolso. Lucas juntou-se a um grupo de amigos para cantar as Janeiras pelas ruas de terra – e as bombas (conhecidas como balonas) serviam para animar a cantoria com estardalhaço.
Lucas Ramalhosa ainda rebentou uma balona. Mas a bomba explodiu-lhe na mão direita – e decepou-lhe a extremidade de três dedos.
Foi socorrido pelos Bombeiros de Caminha e transportado para o Centro Hospitalar do Alto Minho. A caminho do hospital, na ambulância, os bombeiros descobriram-lhe nos bolsos mais 15 balonas iguais à que lhe arrancara as pontas dos dedos. As bombas, que podiam ter provocado um tremendo desastre rodoviário, foram entregues à GNR.
EXPLOSÕES
A fábrica de pirotecnia, pertencente à firma Gaspar Fernandes e Irmão, foi encerrada pela comissão de explosivos, na sequência de uma série de rebentamentos – o último, o mais grave, no Verão de 2000, que sacudiu a aldeia, fez seis feridos e provocou danos em pelo menos 100 casas de habitação.
Os portões da fábrica ficaram selados. Mas o acesso ao interior não ficou vedado nem o material de pirotecnia foi totalmente recolhido. Por lá ficaram restos de bombas e de foguetes cobiçados pelos rapazes da aldeia.
“É frequente ver lá miúdos e, um dia, o pior pode acontecer” – avisa o presidente da Junta da Freguesia, Rui Fernandes.
A fábrica, que teve dezenas de funcionários e chegou a ser uma das maiores pirotecnias do Minho, está agora totalmente abandonada e a sua estrutura encontra-se em processo de franca degradação.
A explosão do ano 2000 ficou na memória de todos, já que mais de metade da aldeia sofreu prejuízos. O estrondo foi de tal ordem, que se sentiu em três aldeias da Galiza, do outro lado do rio.
A coluna de fumo e poeira, com mais de 200 metros de altura, permaneceu espessa por várias horas, tendo sido amplamente fotografada por portugueses e espanhóis.
AUTARCA EXIGE MEDIDAS AO GOVERNO CIVIL
O presidente da Junta de Freguesia de Lanhelas garante que vai exigir ao Governo Civil de Viana do Castelo que ponha um fim definitivo à fábrica de pirotecnia: “Vou comunicar o caso e exigir ao governador civil, como responsável pela protecção civil do distrito, e exigir-lhe que providencie no sentido de acabar com aquele perigo iminente”, diz o autarca Rui Fernandes. É que a fábrica, embora lacrada pela secção de explosivos da PSP, está acessível a qualquer criança. “Basta ter alguns dotes de trepador para saltar os portões e aceder ao interior das instalações, onde não foi feita a devida limpeza na altura do encerramento”, acrescenta o autarca, que hoje mesmo vai falar com o governador civil.
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