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Correio da Manhã

Portugal
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RAPAZ INSISTENTE GANHOU ÂNGELA

Trabalham os dois no mesmo sítio. O Pedro passava o tempo a convidar a que é agora sua noiva para que tomassem cafezinhos. “E ela nada.” Até um dia.
21 de Maio de 2003 às 00:15
“Ela deu-me luta.” Pedro Miguel, de 27 anos, reconhece que não foi fácil convencer a Ângela Maria, de 22, a interessar-se por ele. Valeu-lhe ser “um rapaz persistente” e seguro de que havia de chegar o dia em que a jovem de olhar tímido aceitaria um dos múltiplos convites para tomar café à hora de almoço e deixar-se-ia rir de alguma das piadas dele. Assim foi.
Trabalham ambos no Centro Comercial da Boa Hora, na zona da Ajuda. Ele é cortador de carnes verdes, ela operadora de caixa e não é rapariga de tomar-se de “amores à primeira vista”. Nem à segunda. Ou à terceira.
“Eu metia-me com ela, mas... nada”, lembra-se o Pedro Miguel, que arranjou emprego naquele centro comercial depois de regressar da Irlanda, onde esteve um ano, quando ela já lá trabalhava. ”Estava sempre a convidá--la para tomar café. Pedia ao meu colega para ficar no meu lugar e ia ter com a Ângela”, conta.
A noiva admite que “fugia dele, porque, naquela altura, não estava interessada em namoros”. Não contava ter pela frente um rapaz tão “disposto a lutar”, que, algum tempo depois, começou a frequentar – “como amigo”, ressalva o Pedro – a casa dela, dando-se a conhecer à família.
Foi lá que, certa noite, estando os dois sozinhos, ele lhe disse: “Sou teu amigo, mas sinto uma coisa mais forte por ti”. A Ângela ficou “muito espantada” e não deu resposta. Ainda assim, o Pedro não desistiu.
Passaram-se meses. Ela começou, entretanto, a procurar uma casa para alugar e – porventura também por se sentir mais sozinha – acabou por corresponder ao interesse, sucessivamente demonstrado, do Pedro Miguel.
Começaram a namorar no final de 2001 e vivem juntos, desde Novembro do ano passado, na casa que estão a comprar os dois, na Ajuda. São razões suficientes para que ele celebre: “Deu--me luta, mas está absolutamente convencida.” A Ângela baixa os olhos, sorri e confirma.
A ideia de casar pelo Santo António foi do Pedro Miguel. O pai dele faz anos no dia 12 de Junho, quando têm lugar os “Casamentos”. Assim, o deles, que será realizado apenas pelo civil – candidataram-se também ao religioso, mas não foram escolhidos – constitui, ainda, uma espécie de prenda de aniversário para o pai do noivo.
Os assuntos práticos foram tratados pela Ângela Maria. Foi ela quem, “num dia de folga”, foi inscrever o casal na iniciativa “Casamentos de Santo António 2003”.
A Ângela já escolheu o vestido que vai levar no dia 12, mas, com o Pedro ao lado, prefere não avançar detalhes, obedecendo à interdição popular segundo a qual o noivo nada deve saber acerca de como vai vestida a noiva. Limita-se a levantar uma ponta do véu: “É branco-pérola e giro”.
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