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Correio da Manhã

Portugal
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Receitas baixam 53% em três anos

As capturas de moluscos bivalves oceânicos com ganchorra, na Costa Sul algarvia, caíram para menos de metade nos últimos três anos, com as receitas do negócio a registarem uma quebra de 53,7 por cento. A organização de produtores OlhãoPesca defende mesmo o abate de embarcações numa actividade que envolve cerca de duas centenas de pessoas.
11 de Agosto de 2009 às 00:30
Arte da ganchorra está concentrada no porto de pesca de Olhão
Arte da ganchorra está concentrada no porto de pesca de Olhão FOTO: Raúl Coelho

"O Algarve está a zero, não tem marisco para comer", desabafa António da Branca, dirigente da OlhãoPesca. De acordo com números fornecidos por esta organização, em 2005 foram apanhadas, com ganchorra, na região, 2538 toneladas de conquilha e amêijoa branca e pé-de-burrinho. Em 2008, o total das mesmas espécies ficou-se pelas 1674 toneladas. As receitas ressentiram-se ainda mais: baixaram de 3 297 468 euros em 2005, para 1 524 734 euros no ano passado. E a tendência de quebra mantém-se este ano.

As populações de moluscos bivalves estão tão reduzidas que os limites máximos de pesca com ganchorra – impostos para proteger as reservas – não chegam a ser atingidos. A escassez é mais notória na conquilha e na amêijoa pé--de-burrinho. Amêijoa branca há mais, mas o mercado está a ser invadido por moluscos do Vietname. Face ao cenário negro, a OlhãoPesca acaba por defender o abate: "Há um ano pediu-se o abate de dez embarcações. Mas, mercê portarias não concretizadas e discordância com os prémios de abate, só foram abatidas duas ou três", diz António da Branca.

COMÉRCIO MAIS AGRESSIVO

Um dos grandes destinos da amêijoa é os centros de distribuição para grandes superfícies comerciais na zona centro do País. Esse destino está a ser invadido por amêijoa do Vietname, vendida a três euros por quilo. A amêijoa branca algarvia chega ao mercado a quatro euros por quilo, apesar de ser vendida pelo pescador a 1,20 euros/kg.

"A comercialização vai ter de ser mais agressiva" em benefício do pescador, diz António da Branca, destacando, desde logo, que "aquilo que vem do mar tem de ser comercializado em poucas horas", o que não acontece com a amêijoa vietnamita, que chega congelada.

Nesse sentido, a OlhãoPescas abriu recentemente, em Olhão, um centro de expedição de moluscos bivalves, "onde quem quiser pode encomendar marisco".

SAIBA MAIS

GANCHORRA

É uma arte de arrasto, rebocada por uma embarcação (há versões para uso manual em terra, na maré baixa) e destinada à pesca de moluscos. É composta por armação metálica com pente de dentes, ligada a um saco de rede onde fica o marisco.

52

Total de embarcações da ganchorra no Algarve, concentradas em Olhão. Actividade envolve duas centenas de pessoas.

400

Limite máximo diário e por barco, em quilos, de capturas autorizadas na zona Sul.

SOBREEXPLORAÇÃO

As reservas naturais de bivalves têm sido sobreexploradas, sobretudo no Sul, o que obrigou a restrições à actividade e imposição de limites.

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