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Recém-nascida morta na praia

Uma menina recém-nascida foi encontrada morta a meio da manhã de ontem, no extremo poente da praia dos Olhos d’Água, em Albufeira, com alguns populares a alertarem de imediato os nadadores salvadores ali em serviço.

22 de agosto de 2007 às 00:00

“Chegaram junto de mim algumas pessoas relatando o estranho aparecimento. Nunca ouvira falar de nada assim e fui confirmar. De facto, estava na água o corpo de uma criança recém-nascida, do sexo feminino”, relata Lyubomyr Knignitskyy, nadador salvador de nacionalidade ucraniana, que contou com a ajuda do seu colega Paulo Reigado.

Seguiram-se, de imediato, telefonemas para o INEM e para a Polícia Marítima. “Pedi a todos os que estavam por perto para não tocarem em nada sem a presença das autoridades, pois, nestes casos, tais comportamentos podem apagar pistas importantes. Foi, apenas, colocada uma toalha sobre o corpo, por um bombeiro de uma corporação do Norte do País que se encontrava perto, para evitar o aglomerado de pessoas curiosas.”

Só depois da chegada das autoridades “a menina foi levada para a areia, havendo o cuidado de proceder a essa operação com o auxílio de toalhas, sem tocar no corpo, de acordo com as indicações da Polícia Marítima”.

A delegada de Saúde de Albufeira compareceu no local, confirmando o óbito, após o que foi autorizada a remoção do cadáver para o Instituto de Medicina Legal do Hospital do Barlavento, em Portimão.

O corpo foi encontrado numa zona rochosa e de difícil acesso, pouco frequentada pelos veraneantes, que só por ali passam quando a maré está vazia ou, então, circulando por cima das falésias. Na maré cheia não é possível – pelo menos sem molhar parte do corpo – aceder pelo areal àquela zona do extremo poente da praia dos Olhos d’Água, uma das mais frequentadas do concelho de Albufeira nesta altura do ano.

As toalhas que se encontravam junto ao corpo da recém-nascida eram brancas e não tinham qualquer outra indicação além da etiqueta de fabrico, mas foram recolhidas pela Polícia Judiciária, que para ali se deslocou ao começo da tarde, face à suspeita de pertencerem a uma unidade hoteleira da zona, decorrendo diligências no sentido de apurar se algum hotel utiliza material idêntico.

Elementos da Polícia Judiciária recolheram diversos testemunhos no local, ouvindo várias pessoas que avistaram o corpo da menina pela manhã, e vão decorrer investigações no sentido de apurar em que circunstâncias a criança ali foi deixada e, ainda, a qual a identidade da mãe.

SACO VISTO NO DIA ANTERIOR

A meio da tarde de segunda-feira alguns pescadores desportivos haviam avistado um saco naquela zona da praia, mas “pensaram tratar-se de toalhas esquecidas por veraneantes ou de lixo”, conta Lyubimyr Knignitskyy. Isso faz supor que o corpo da menina tenha sido ali deixado durante aquele dia ou até mesmo antes disso. João Vieira, em férias e residente na zona de Leiria, apercebeu-se do que “parecia ser o corpo de um recém-nascido” às 11h00 de ontem. “Dei o alerta e pedi para que fossem chamados os nadadores salvadores ou alguém que tomasse conta da ocorrência. Inicialmente ainda pensei que se tratasse de um boneco mas, quando me aproximei, fiquei horrorizado. Como é possível alguém cometer um crime tão horrível? Se queriam desfazer-se da criança deixavam-na à porta dos bombeiros ou de um centro comercial.”

AUTÓPSIA DEVE SER HOJE

O cadáver foi transportado ao início da tarde com destino ao Instituto Médico Legal do Hospital do Barlavento e hoje deverá realizar-se a autópsia, exame de relevante interesse para as investigações em curso por parte da Polícia Judiciária. Saber o dia exacto do nascimento e da morte podem revelar-se dados preciosos para apurar todo o quadro relacionado com a ocorrência.

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