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Correio da Manhã

Portugal
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Recluso acusado por extorsões nas saídas precárias confessa parte dos crimes

Arguido foi sempre dizendo ao longo da audição que "nunca quis enganar ninguém".
Lusa 2 de Dezembro de 2019 às 18:34
Cadeia de Custóias, em Matosinhos
Cadeia de Custóias
Cadeia de Custóias
Cadeia de Custóias, em Matosinhos
Cadeia de Custóias
Cadeia de Custóias
Cadeia de Custóias, em Matosinhos
Cadeia de Custóias
Cadeia de Custóias
Um recluso acusado por intimidar e extorquir dezenas de pessoas durante as saídas precárias da cadeia de Custóias, Matosinhos, confessou hoje ao Juízo Central Criminal do Porto parte dos ilícitos que lhe foram imputados.

Segundo o Ministério Público (MP), o homem, de 47 anos, estava a cumprir uma pena de nove anos e três meses de prisão e aproveitava as saídas precárias - e depois a liberdade condicional - para oferecer serviços de recuperação de dívidas, acabando por ameaçar e extorquir os devedores e os próprios clientes.

Terá intimidado mais de 120 pessoas e extorquido um total de 107 mil euros, em crimes consumados a partir de 2016, com a colaboração de duas mulheres, coarguidas no processo.

O principal arguido - que tem vários antecedentes criminais, alguns por práticas similares, e que voltou à cadeia em 2018 - exigia aos seus alvos pagamentos de determinados montantes, coagindo-os com ameaças de agressão ou mesmo de morte, tal como as suas famílias, conforme indica a acusação.

Numa da situações, referida pelo MP e repescada em tribunal pela presidente do coletivo de juízes, o homem foi contratado para cobrar uma dívida e exigiu à cabeça 200 euros, a título de despesas a efetuar. Mas depois, em vez de entregar os valores cobrados ao credor em prestações mensais, depositou-os na sua conta.

Após várias insistências da magistrada judicial para que justificasse o procedimento, e na sequência de algumas respostas evasivas, o autointitulado "recuperador de dívidas" acabou por nada explicar.

O que sempre foi dizendo é que "nunca quis enganar ninguém".

Afirmou também saber que não podia recorrer à intimidação para cobrar dívidas, mas quando questionado pela juiz-presidente sobre se não teria dito a uma vítima que encarregaria terceiros de o agredir, respondeu: "certamente devo-lhe ter dito qualquer coisa".

Numa alusão a outro caso, admitiu ameaças a um alegado devedor.

"Disse que lhe partia as pernas?", quis saber a juíza-presidente, apoiada no texto da acusação.

"Devo ter dito", anuiu.

O julgamento estava marcado para as 14:00, tendo começado uma hora mais tarde por demora no transporte do detido ao tribunal.

O coletivo de juízes reagiu, solicitando ao presidente da Comarca que interceda junto dos estabelecimentos prisionais para se evitar situações similares.

A sessão de julgamento foi ainda marcada pela ausência do advogado de uma assistente no processo, quando o arguido já depunha há mais de hora e meia.

Para evitar uma irregularidade processual, o tribunal optou por suspender os trabalhos, prosseguindo-os na manhã de terça-feira já com a presença do advogado em causa.

Durante essa sessão, o principal acusado vai continuar o seu depoimento, prevendo-se também a audição das duas coarguidas.

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