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Correio da Manhã

Portugal
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Recluso ataca guarda

Um recluso da penitenciária de Coimbra agrediu um guarda prisional com um canivete, anteontem, provocando-lhe ferimentos na cara. O agressor é considerado perigoso e estava no isolamento. Mesmo assim, tinha consigo uma pequena navalha, semelhante às que são autorizadas aos presos do regime geral.
13 de Fevereiro de 2006 às 00:00
Recluso ataca guarda
Recluso ataca guarda FOTO: Ilustração de Ricardo Cabral
“O guarda só não ficou sem uma vista porque não calhou”, lamenta Fernando Ramos, dirigente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional.
Segundo a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP), a agressão ocorreu sábado, pelas 14h30. O recluso, de 35 anos, estava colocado na ‘secção de segurança’ por ser considerado perigoso para os companheiros. Apesar disso, tentou ir ao recreio juntamente com os restantes reclusos. Como essa pretensão lhe foi negada, virou-se ao guarda, desferindo-lhe “um golpe de navalha na cara e um pontapé numa mão”.
Depois de assistido nos Hospitais da Universidade de Coimbra, o guarda recebeu alta médica, mas deverá ficar uns dias em convalescença.
O recluso cumpre uma pena de prisão de 17 anos e três meses, por homicídio, e está na cadeia de Coimbra desde 2003. De acordo com a DGSP, neste estabelecimento, como em vários outros do País, os presos do regime geral “estão autorizados a andar com um pequeno canivete”, para, por exemplo, cortar fruta ou queijo. Mas não os que estão em isolamento. Foi aberto um inquérito.
AGRESSÕES DENUNCIAM FALHAS
O ano passado registaram-se 20 casos de agressões físicas a guardas nas cadeias portugueses, revelou ontem Manuel Carvalho, presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP). Na ocorrência de Coimbra, o dirigente admite que possa ter havido uma falha na segurança. “Se o recluso estava em isolamento, não podia ter com ele um canivete”, afirma.
Manuel Carvalho, de resto, não compreende porque que é que os reclusos do regime geral são autorizados a andar com uma pequena navalha. “Esse tipo de material devia ser proibido, não só para segurança dos guardas, mas dos próprios presos”, reforça Fernando Ramos, também do SNCGP. Para evitar as agressões dentro das cadeias, os representantes dos guardas prisionais apelam ao reforço do efectivo. Pelas contas do Sindicato, faltam perto de 1000 profissionais. E sugerem a criação de um cadastro com o comportamento do recluso, que o acompanhe quando muda de prisão.
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