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Correio da Manhã

Portugal
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Reclusos escapam da cadeia do Linhó

Dois reclusos de nacionalidade brasileira, ambos de 25 anos, conseguiram escapar durante a noite de ontem da cadeia do Linhó, nos arredores de Sintra, onde cumpriam penas por roubo e assaltos a carrinhas de valores. A fuga deu-se um dia após a visita do ministro da Justiça, Alberto Costa, àquele estabelecimento prisional.
9 de Janeiro de 2007 às 00:00
Os dois reclusos fugiram um dia depois de o ministro da Justiça, Alberto Costa, ter visitado a prisão
Os dois reclusos fugiram um dia depois de o ministro da Justiça, Alberto Costa, ter visitado a prisão FOTO: d.r.
Na calada da noite, Reinaldo Freitas e Dorizete Oliveira conseguiram saltar um muro de cerca de três metros, num local entre duas torres de vigia com guardas de serviço. Um plano bem arquitectado que, segundo as suspeitas da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP), terá tido a colaboração de conhecidos dos reclusos em liberdade. Permanece um mistério a forma como os dois homens abandonaram a cela.
Segundo apurou o CM, o recluso Reinaldo Freitas cumpria uma pena de cinco anos e seis meses de cadeia, desde Outubro de 2005, por roubo. Já tinha passado pelo estabelecimento prisional de Caxias e fora transferido para o Linhó havia alguns meses. Tem ainda pendente um processo por falsificação de documentos.
Dorizete Oliveira, que já estava preso há mais tempo, desde Junho de 2004, depois de ter sido condenado a sete anos de cadeia por uma série de assaltos a carrinhas de transportes de valores, já passou pelas cadeias de Setúbal, Lisboa e Linhó.
A DGSP afirmou ontem que todas as forças policiais foram avisadas. Mas, o CM tem conhecimento de que a GNR de Sintra – que tem sob sua responsabilidade a área do estabelecimento prisional do Linhó –, ao início da noite de ontem, ainda não tinha recebido qualquer informação oficial sobre a fuga e sobre os próprios reclusos.
DGSP NÃO SABE COMO FUGIRAM
Os dois reclusos, que se evadiram, durante a noite de ontem, terão pulado um muro de cerca de três metros – entre duas torres de vigia –, onde estaria alguém para os ajudar. Contactada pelo CM, a DGSP afirmou desconhecer como é que os reclusos escaparam e garantiu a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias. A cadeia do Linhó, nos arredores de Sintra, tem uma lotação de 584 reclusos, vigiados por 162 guardas prisionais. Quando um recluso não regressa à cadeia, depois de uma saída precária, os próprios serviços prisionais tentam contactar familiares e amigos para perceber o que se passa e só depois comunicam às autoridades. Quando se trata de fuga, a Polícia deve ser informada e munida de fotografias dos reclusos.
HÁ MENOS PRISIONEIROS
A população prisional diminuiu durante o ano de 2005, tendo entrado menos 1255 reclusos do que em 2003. A conclusão é da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais que, segundo uma análise estatística, traça um perfil da população reclusa em Portugal: predominantemente masculina, adulta, com baixos níveis de escolaridade, maioritariamente portuguesa e com penas que variam entre os três e os seis anos de cadeia. Por outro lado, se há menos reclusos, o relatório da DGSP aponta para um aumento de quatro por cento dos cidadãos estrangeiros a cumprir pena. “Até 2003, eram maioritariamente africanos, mas, desde então, imigrantes de Leste, brasileiros e venezuelanos” são as nacionalidades mais comuns. Em finais de 2005, havia cerca de 12 500 reclusos nas cadeias portuguesas: mais de 2300 eram estrangeiros, 203 dos quais de nacionalidade brasileira.
Os crimes, que levam à condenação dos reclusos, têm mudado nos últimos anos. Entre 1999 e 2002, a maior parte dos reclusos cumpria pena por tráfico de droga. A partir de 2003, a DGSP constatou que os crimes contra o património, nomeadamente roubos e furtos qualificados, foram os que mais conduziram os reclusos a penas de prisão efectiva. Em 2005, a tendência manteve-se e os crimes contra o património ainda aumentaram 0,2 por cento. Em Dezembro daquele ano, 3208 reclusos cumpriam penas por roubos, furtos e outros crimes contra o património. A prática de tais crimes, segundo o mesmo relatório, também diverge conforme o sexo do autor. Cerca de 59,9 por cento das mulheres presas em finais de 2005 cumpria pena por tráfico de droga, enquanto 33,7 por cento dos homens cumpria pena por furtos e roubos mais violentos.
EVADIDOS DETIDOS
HOMICÍDIO
Um homem fugido do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira (Porto), desde Outubro de 2005, foi capturado pela PJ de Coimbra em Novembro último. Estava a cumprir uma pena de 18 anos por homicídio.
SEQUESTRO
Um evadido há mais de um ano da cadeia de Pinheiro da Cruz, onde cumpria uma pena por roubo, sequestro e homicídio, foi detido quarta-feira pela GNR na localidade de Canha, no Montijo, em Novembro último.
NO AEROPORTO
Um recluso de 38 anos – evadido da cadeia de Alcoentre há mais de um ano – foi detido em Novembro no aeroporto de Lisboa. Ia escapar do País.
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