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Correio da Manhã

Portugal
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Reclusos julgados por motim na cadeia de Guimarães

Os reclusos do estabelecimento prisional de Guimarães acusados de terem protagonizado um motim para fugirem da cadeia, em Agosto de 2007, remeteram-se esta terça-feira ao silêncio, no início do julgamento, nas Varas de Competência Mista daquela comarca.
27 de Novembro de 2012 às 15:14
Caso ocorreu em Agosto de 2007 na cadeia de Guimarães
Caso ocorreu em Agosto de 2007 na cadeia de Guimarães FOTO: Sérgio Freitas

O processo tem seis arguidos, com idades compreendidas entre os 22 e os 51 anos, mas um deles vai ser julgado em separado, por actualmente estar a cumprir pena de prisão na Galiza, Espanha.

Os arguidos respondem por um crime de motim de presos, dois crimes de roubo, um crime de coacção agravado e um crime de detenção de arma proibida. Dois deles são ainda acusados de um crime de falsificação agravado.

Antes do julgamento, os advogados de defesa de alguns arguidos anunciaram que vão trabalhar a tese de evasão, tentando que caia a acusação de motim. "Discordamos em relação ao motim e também achamos que não houve intenção de ameaçar. Consideramos que houve, apenas, evasão", referiu o advogado Pedro Carvalho.

Na primeira sessão do julgamento, depôs um dos guardas prisionais em serviço no dia da fuga, que explicou que os arguidos lhe encostaram uma faca artesanal ao abdómen e o avisaram que se não ficasse "quietinho e calado" o matariam.

Segundo a mesma testemunha, os arguidos usaram ainda um ferro, alegadamente a perna de uma cadeira.

O arguido confessou que, "em certas alturas", sentiu medo, mas entretanto percebeu que os arguidos não lhes iriam "fazer mal", já que o seu único objectivo seria mesmo fugir da cadeia.


Os factos remontam a 11 de Agosto de 2007, quando, segundo o Ministério Público, os seis arguidos "cogitaram um plano" tendo em vista a sua fuga da cadeia de Guimarães.

De acordo com a acusação, fizeram artesanalmente uma faca com cerca de 10 centímetros de comprimento e muniram-se de dois ferros, com uma das suas extremidades aguçadas.

Um dos arguidos dirigiu-se à enfermaria, para receber a medicação, mas levou aquela faca escondida na roupa, tendo com ela neutralizado um guarda prisional que abria e fechava a porta de acesso à zona de reclusão.

Outro arguido, com a ajuda de um ferro, impediu que a porta se fechasse, possibilitando a passagem de todos os reclusos acusados neste processo.

Os arguidos dirigiram-se depois ao hall de entrada da cadeia, onde estava mais um guarda prisional e duas funcionárias da empresa que fornecia refeições ao estabelecimento prisional.

Ameaçaram o guarda, roubaram-lhe a pistola e exigiram-lhe as chaves da porta que permitia o acesso ao exterior da cadeia, enquanto que a uma das referidas funcionárias exigiram as chaves da viatura em que se fazia transportar. Foi nesta viatura que se puseram em fuga.

Actualmente, todos os arguidos estão detidos, repartidos pelos estabelecimentos prisionais de Coimbra, Porto, Paços de Ferreira e Pontevedra, este último na Galiza.

Dois dos arguidos andavam, após a evasão, com documentos falsos, nomeadamente cartas de condução e bilhetes de identidade.

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