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Correio da Manhã

Portugal
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REFORMADOS DAVAM DOCES PARA ABUSAR

A Polícia Judiciária anunciou ontem a detenção de dois reformados, de 66 e 76 anos, “fortemente indiciados da prática de crimes de abuso sexual de crianças” nos concelhos de Leiria e Alcobaça.
1 de Junho de 2004 às 00:00
Os indivíduos foram mandados em liberdade pelos juízes, após o primeiro interrogatório, ficando proibidos de se aproximarem das alegadas vítimas e sujeitos a apresentações periódicas às autoridades enquanto decorre o inquérito judicial.
Os processos não estão relacionados, mas, de acordo com os investigadores, os reformados actuavam de modo semelhante. “Num quadro de aliciamento dos menores, através de guloseimas”, é referido em comunicado pela PJ.
Em Leiria, o suspeito, de 66 anos, residente na Azóia, terá abusado de duas meninas de nove e onze anos, colegas de brincadeiras. Abordava-as junto das respectivas residências oferecendo-lhes chocolates e amêndoas. Foram os familiares de uma das crianças a denunciar o caso.
No processo de Alcobaça, dois meninos de dez e onze anos relataram actos sexuais alegadamente mantidos com um vizinho, de 76 anos. Mais uma vez, as guloseimas enquadraram a abordagem, facilitada por se tratar de um indivíduo conhecido da rua, num meio pequeno.
Após meses de diligências, o Departamento de Investigação Criminal de Leiria da PJ avançou para as detenções na passada quinta-feira. No dia seguinte, os dois homens estiveram nos tribunais de Leiria e Alcobaça, a fim de conhecerem as medidas de coacção.
A idade terá sido um dos factores a contribuir para que aguardem o desenvolvimento do inquérito judicial em liberdade, quando ambos residem perto das alegadas vítimas.
As detenções foram anunciadas uma semana depois de ser conhecido outra suspeita de abuso sexual de crianças em Leiria, envolvendo uma família residente no bairro social Sá Carneiro. Dois meninos, de oito e nove anos, foram internados no Hospital de Santo André em consequência dos abusos alegadamente infligidos por um irmão adolescente, de 13 anos.
A investigação está a cargo do Ministério Público e os meninos encontram-se à guarda da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Leiria, um organismo que no ano passado sinalizou 245 casos de menores maltratados ou abusados.
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