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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

REFORMADOS SEM PENSÃO

Um homem e uma mulher e um esquema completo. Diziam-se irmãos e assaltavam os carteiros. Furtavam vales de pensionistas e cheques, falsificavam as assinaturas e trocavam-nos por dinheiro junto de comerciantes. Noutros casos depositavam os valores em bancos.

15 de outubro de 2004 às 00:00

Foi assim durante quase um ano, deixando para trás dezenas de idosos sem pensões, comerciantes burlados e um rasto de descaramento e histórias inventadas.

O Tribunal da Moita, com base nas provas apresentadas pelo Ministério Público e recolhidas pela GNR do Montijo, determinou aos ‘irmãos’ a prisão preventiva, mas quem vai devolver a confiança às dezenas de vítimas?

Olinda Patacão, de 73 anos, de Alhos Vedros, na Moita, foi das primeiras vítimas. No Natal do ano passado preparava-se para a consoada à espera da pensão. “Era para comprar umas coisinhas”. Acabou por não comprar nada e foi obrigada a recorrer a “200 euros que tinha no banco. Ainda eram do tempo do meu falecido marido. Se não fosse esse dinheirinho estava bem arranjada”. Valeu-lhe também o filho, mas ficou a ‘dívida’: “Nunca mais vi o dinheiro da pensão”. Nem ela nem tantos outros reformados de vários pontos do Distrito de Setúbal.

É que os vales ou foram depositados por falsificação da assinatura ou trocados por dinheiro em estabelecimentos comerciais. “Eles vinham muito à minha casa”, recorda uma comerciante da Quinta da Marquesa, em Palmela, que pediu o anonimato. Passavam ali desde Setembro e foram ganhando confiança – “pareciam-me pessoas normais, comuns” – tanto que acabou por lhes trocar um cheque de uma seguradora e um vale de uma pensionista, este último em Março. “Disse-me que era da mãe dela, que estava acamada”.

A verdade só veio ao de cima quando verificou que o vale já nem podia ser levantado, uma vez que já tinha caducado há três dias. Uma falcatrua que foi agora travada.

UM PERFIL DO CASAL SUSPEITO

Aspecto cândido e com muita lábia. Assim são difinidos o homem e a mulher que ontem ficaram em prisão preventiva, por determinação do Tribunal da Moita. O Núcleo de Investigação Criminal da GNR do Montijo foi buscar cada a sua casa, ele, o Luís, de 32 anos, divorciado e a morar na Quinta do Conde, ela, a Paula, de 31 e a morar em Cabanas. Os processos vêm da quase totalidade dos tribunais do distrito de Setúbal, mas a vida de ambos era confortável e paga pelos crimes.

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