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Correio da Manhã

Portugal
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Região adoptada por estrangeiros

Jenny Grainer é um dos melhores exemplos de residentes estrangeiros que já adoptaram o Algarve para viver e criar família. Esta inglesa vive no Sul do País há mais de 40 anos e faz parte do grupo de estrangeiros do Norte da Europa com residência fixa na região.
8 de Fevereiro de 2009 às 00:30
Jenny Grainer reside no Algarve há 40 anos. Actualmente vive em Lagoa com o marido Gordon Ackerman
Jenny Grainer reside no Algarve há 40 anos. Actualmente vive em Lagoa com o marido Gordon Ackerman FOTO: Algarvephotopress

Estão contabilizados entre 150 e 160 mil estrangeiros do Centro e Norte da Europa a residir permanentemente no Algarve, número que contrasta com dados de há 20 anos, segundo os quais o Algarve era procurado para férias e passagens curtas, como revela um estudo da publicação inglesa ‘Portugal News’, que desde 1989 analisa o perfil da comunidade de estrangeiros do Norte da Europa.

Os resultados de há 20 anos revelavam que a maioria dos forasteiros escolhia Portugal, em especial o Algarve, "como destino de férias mas já com alguma intenção de investir em Portugal". Hoje em dia, vinte anos depois, a grande maioria dos estrangeiros, cerca de 80 por cento, "pretende residir cá, trazer a família, filhos e integrar-se na nossa comunidade", interpreta Paul Luckman, autor do estudo e igualmente residente.

"A região é procurada por uma nova geração de pessoas que já a adoptou para viver", estende este britânico que chegou ao Algarve há mais de 30 anos, como Jenny.

"Vim passar férias em 1964 e quatro anos depois eu e o meu primeiro marido, que era compositor, decidimos que este era o sítio ideal para viver", conta a escritora Jenny Grainer. Tem três filhos. Dois deles, de um segundo casamento, estudaram e foram criados na região.

Actualmente reside em Lagoa com o marido canadiano Gordon Ackerman. Jenny recorda-se das "casas típicas que agora, a grande maioria, são habitadas por ingleses alemães e holandeses".

Elogia os serviços de saúde, até porque foi submetida, há pouco tempo, a um tratamento a um cancro da mama e foi sempre "bem tratada". Quanto ao nível de vida, compreende que seja "mais alto nos dias de hoje, mas mais acessível do que em outros países".

CRISE FINANCEIRA SÓ AFECTARÁ QUEM GOZA REFORMAS

A crise económica não deverá afectar a maioria dos estrangeiros a residir no Algarve, no entender de Paul Luckman, "porque a maior fatia integra as classes A, B e C", com posses financeiras. O carro mais usado pela comunidade é o Mercedes, mas o supermercado mais frequentado é o Lidl. "São pessoas que têm dinheiro, mas que sabem muito bem como o usar", explica.

Apenas os estrangeiros que estão na região a gozar as reformas é que podem ter dificuldades, porque "a libra perdeu 30 por cento do seu valor e não têm outros rendimentos".

COMPARAÇÕES

TRABALHO

Em 1989, apenas 3% dos estrangeiros tinham intenções de trabalhar em Portugal. Actualmente cerca de 37% encontram-se no nosso país a trabalhar, a maioria no Algarve.

COMPRA DE CASA

Há 20 anos, 51% dos estrangeiros planeavam comprar casas apenas para férias e 37% planeavam adquirir uma propriedade como um investimento. Actualmente, cerca de 80% são residentes permanentes.

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