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Correio da Manhã

Portugal
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REGIME LIVRE TEM OS DIAS CONTADOS

Jacinto Amaro, presidente da Federação Portuguesa de Caça, afirmou ontem ao CM que o regime livre tem os dias contados e que já no próximo ano deverá acabar.
4 de Outubro de 2004 às 00:00
Defensor do que considera ser “um ordenamento com qualidade”, este dirigente disse que em 2005 – altura em que será eliminada a actual restrição imposta na lei de que cada concelho não pode ter mais de 50 por cento da respectiva área em regime ordenado –, se proprietários e poder local o desejarem, “um concelho pode ordenar os 100 por cento da sua área em zonas de caça turística e associativas”.
Este responsável afirma que 99,9 por cento das autarquias quer o regime ordenado e que, como lhe tem sido dito pelas associações de agricultores, os seus sócios têm o mesmo anseio.
Segundo Jacinto Amaro, quando tudo estiver em associativas haverá uma média de 30 hectares para cada caçador. Acredita que mesmo os caçadores com menos rendimentos podem chegar à caça, “pois existem reservas que cobram desde 10 euros por mês”.
Desiludidos com o rumo que a caça tem levado estão os caçadores do regime livre, que ontem tiveram o seu primeiro dia para fazer o gosto ao dedo. Com pouco terreno disponível, estes homens sentem saudades de outras épocas. “No tempo do Salazar, era criado um couto e havia o cuidado de libertar espaço à sua volta”, diz José Rodrigues, acrescentando ironicamente que talvez seja melhor atirar aos pombos na Praça do Comércio.
“Temos de andar à procura de locais onde não haja tabuletas. Quando encontrarmos um terreno livre, somos nós e mais dez mil”, desabafa Constante Peres.
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