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Correio da Manhã

Portugal
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REI DA HEROINA ESCAPA À JUSTIÇA PORTUGUESA

Em Espanha, a Audiência Nacional marcou falta de comparência ao alegado cérebro de uma das principais redes de tráfico de droga a operar no País. Trata-se de um cidadão português de 55 anos que responde pelo nome de José Gomes Pires Coelho. Mas Gomes Pires –também conhecido no meio or ‘Anão’ , ‘Tito’ , ‘Espanhol’ ou ‘Pequenino’ – não foi o único a faltar à chamada.
29 de Outubro de 2003 às 00:00
Seis outros arguidos seguiram-lhe o exemplo. Entre eles está um outro português – Miguel Rui Teixeira –, cuja alcunha é ‘O Gordo’. Gomes Pires esteve detido numa prisão de Madrid durante quatro anos. Mas acabou por ser extraditado para Portugal em Abril deste ano. Porquê? Quatro anos é o período máximo de prisão preventiva permitido pela lei espanhola. Mas no entender das autoridades judiciais espanholas seria uma viagem de ida e volta. Ou seja : ‘O Anão’ deveria ser recambiado para Espanha por altura do seu julgamento. O que acabou por não acontecer. Gomes Pires foi ouvido por um tribunal português e mandado em liberdade. Mal saiu do tribunal desapareceu na paisagem. Desde então, as autoridades judiciais espanholas têm multiplicado esforços no sentido de o localizar. Sem resultado. E até a intervenção da Interpol não surtiu efeito. O silêncio português compreende-se – não sabem onde se meteu ‘O Anão’, razão pela qual já emitiram um pedido de paradeiro.
A investigação policial que permitiu desmantelar esta rede demorou quatro meses. Nome de codigo: ‘Operación carro’. Tudo acabou em 1999 quando a polícia interceptou um camião proveniente da Holanda e que transportava 319 quilos de heroína e 52 de cocaína. Foi a maior apreensão de heroína alguma vez apreendida em Espanha. Daí a mão pesada da acusação. “O Anão” incorre num pena de 32 anos de prisão e a uma multa de 110 milhões de euros.
ROTEIRO DA DROGA
Na altura, os espanhóis desenharam o roteiro da droga. É assim: os narcotraficantes adquiriam a heroína ao turco, Urfi Centinkaya, actualmente preso no seu país. Depois era encaminhada para a Holanda, camuflada em máquinas agrícolas. Só depois partia para Espanha com destino a uma empresa de Villa- castín.
Gomes Pires não é um ilustre desconhecido para a polícia portuguesa. Nascido em 1948 na aldeia de Benquerença, concelho de Penamacor, tem um cadastro de respeito – está alegadamente envolvido em mais de 30 crimes por tráfico de droga e falsificação. Tem vários processo pendentes e chegou já a cumprir, nos anos 90, pena em Portugal. É considerado “um indivíduo mexido mas não violento” sendo proprietário de várias casas em Lisboa e Oeiras. Mas não as pode desfrutar porque sobre ele pende um mandado de detenção emitido no passado dia 16 de Outubro pelas autoridades portuguesas.
'CURRICULOS'
UM 'ANÃO' DE PESO
Em Espanha a acusação não tem dúvidas. O português José Gomes Pires Coelho – ‘O Anão’ – era um dos principais cabecilhas de uma importante rede de tráfico de droga desmantelada em 1999. De acordo com o Ministério Público espanhol ele, era o cérebro de um grupo que “armazenava e destribuía em Espanha” grandes quantidades de droga provenientes da Holanda.
Investigações da polícia concluíram que a “mercadoria” era disponibilizada por um velho conhecido no meio da droga – o turco Urfi Cetinkaya, também conhecido por ‘O Paralítico’. Chegava à Holanda escondida em tractores e maquinaria agrícola destinadas à empresa P.P.Leferink Track. Só depois é que era metida em camiões rumo a Espanha, onde era recebida por Gabriel Carracedo, outro dos arguidos neste processo.
O 'GORDO' VOLÁTIL
Miguel Gomes Teixeira – ou ‘O Gordo’ – é um dos arguidos do mega processo de tráfico de droga que está a apaixonar a Espanha. Este cidadão português de 34 anos pode vir a ser condenado a uma pena de 21 anos de prisão. Na condição, é claro, de o seu paradeiro ser localizado. Uma missão difícil uma vez que foi um dos grandes ausentes do julgamento que anteontem começou na Audiência Nacional.
‘O Gordo’ é tido como uma personagem-chave desta rede de narcotrático. Foi abordado pela polícia quando conduzia o Citroën de Gregorio Anton, o espanhol cujas empresas alegadamente davam cobertura jurídica e mercantil ao tráfico. E na sua lista telefónica constavam os números de todos os envolvidos neste processo.
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