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Correio da Manhã

Portugal
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Rejeitadas acareações entre ex-CEME Rovisco Duarte e tenentes-generais

O furto do material militar, entre granadas, explosivos e munições, dos paióis de Tancos, foi noticiado em 29 de junho de 2017.
Lusa 28 de Março de 2019 às 18:49
Rovisco Duarte, ex-CEME
Rovisco Duarte, ex-CEME
Rovisco Duarte, ex-CEME
Rovisco Duarte, ex-CEME
Rovisco Duarte, ex-CEME
Rovisco Duarte, ex-CEME
As propostas do PSD e do CDS-PP para acareações entre o ex-Chefe do Estado-Maior do Exército Rovisco Duarte e dois tenentes-generais que se demitiram foram esta quinta-feira rejeitadas com oito votos contra, do PS e do PCP.

Apenas três deputados do PSD marcaram presença na votação dos requerimentos, que é nominal, votando a favor.

O deputado do CDS-PP, que tem direito a um voto, votou também a favor, enquanto o deputado do BE João Vasconcelos optou pela abstenção.

Ainda que os deputados do PSD na comissão de inquérito ao furto de Tancos estivessem todos presentes na reunião, os requerimentos não seriam ainda assim aprovados já que haveria empate, o que obrigaria a nova votação.

Se fossem mantidas as mesmas posições, repetindo-se o empate os requerimentos não seriam aprovados, prevê o regime da votação nominal, segundo explicou aos jornalistas o deputado do PCP Jorge Machado.

Face ao "chumbo" dos requerimentos, o deputado do CDS-PP Telmo Correia adiantou que irá propor novas audições aos tenentes-generais Antunes Calçada e António Faria Menezes.

O deputado do PSD Carlos Peixoto tinha alegado que houve "contradições" entre Rovisco Duarte e o tenente-general Faria Menezes sobre se houve ou não "pressões" para a exoneração de cinco coronéis após o furto de Tancos.

"Quando um general fala de pressões, fala de pressões políticas", sustentou Carlos Peixoto, pedindo o apoio dos deputados para a "descoberta da verdade".

Na discussão das propostas, o deputado do PS Ascenso Simões disse que as transcrições das audições comprovam que sobre esse ponto não há qualquer contradição e acusou o PSD e o CDS-PP de quererem criar "novos factos políticos" e fazer "chicana política".

A posição mais crítica em relação às propostas do PSD e do CDS-PP partiu do deputado do PCP Jorge Machado, que acusou aqueles partidos de demonstrarem uma "gigantesca falta de sentido de Estado" e de "não terem pejo" de "por a nu as fragilidades internas do Exército para degradas a imagem do ramo".

Segundo o deputado comunista, a realizarem-se, ainda que à porta fechada como propôs o PSD, as acareações tratariam de matéria que põe em causa a "coesão interna do ramo".

O furto do material militar, entre granadas, explosivos e munições, dos paióis de Tancos, foi noticiado em 29 de junho de 2017 e parte do equipamento foi recuperado quatro meses depois.

Este processo levou à demissão, ainda em 2018, do ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, e do chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte.

A comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas no furto de material militar em Tancos, pedida pelo CDS-PP, vai decorrer até junho de 2019, depois de o parlamento prolongar os trabalhos por mais 90 dias.
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