Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
1

REMÉDIO EFICAZ MAS COM RISCOS

O medicamento para combater o colesterol elevado, o genérico rosuvastatina (nome comercial Crestor) provoca reacções adversas graves, em especial na dosagem de 40 mg. Em Portugal, o fármaco é vendido em embalagens de 10 mg e há o registo de seis casos de reacção adversa, dos quais três são graves.
29 de Junho de 2004 às 00:00
O grupo activista americano Public Citizen exige que o medicamento seja retirado do mercado, devido aos efeitos secundários graves que, alegam, provoca.
À venda em Portugal, este fármaco merece um aviso de alerta do Infarmed para médicos: o ajuste para 20 mg só deve ser efectuado após quatro semanas, se necessário, e a dosagem de 40 mg só deve ser prescrita em doentes com hipercolesterolémia grave que não tenham factores de risco, como miopatia.
Vítor Gil, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, afirma ao CM que os casos de reacção adversa conhecidos devem-se “às dosagens fortes e à associação com outros medicamentos, pelo que o doente deve ter uma vigilância clínica apertada”.
O especialista reconhece a eficácia deste medicamento no combate ao colesterol, em especial de doentes que correm o risco de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).
O fármaco foi aprovado pelo Infarmed nas dosagens de 10 mg, 20 mg e 40 mg, mas só é comercializado na dosagem mais fraca.
LABORATÓRIO ADMITE VENDA DAS 40 MG
O laboratório que vende o medicamento, a AstraZeneca, admite a venda de dosagens mais elevadas se o mercado o justificar.
“Temos a autorização da entidade reguladora no nosso país [Infarmed] e se não são vendidas as dosagens de 20 mg e 40 mg é porque se considera que não há necessidade. Se o médico entender necessário, pode aumentar a dosagem da terapêutica”, afirma ao CM Filipe Ribeiro, director médico do laboratório. Este responsável avança com números para justificar “a elevada eficácia do medicamento e a igual segurança em relação aos outros da mesma classe” com os cinco milhões de prescrições e dois milhões de doentes em todo o mundo. “As reacções adversas graves são casos muito raros e não há casos de morte atribuídos a esta terapêutica”, sublinha. A AstraZeneca contesta a “interpretação inapropriada da informação científica do grupo americano Public Citizen e assegura que o Crestor é um fármaco com um perfil de risco-benefício favorável.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)