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Correio da Manhã

Portugal
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Remédios podem matar

Todos os medicamentos têm riscos e fazer um mau uso dos remédios pode causar a morte. Um dos perigos mais frequentes é a compra pela internet. Muitas vezes os medicamentos assim obtidos são falsificados e escapam por completo ao controlo das autoridades de saúde.
22 de Agosto de 2006 às 00:00
Estas e outras questões relacionadas com a segurança e avaliação dos medicamentos serão debatidas no Congresso Internacional de Farmacoepidemiologia e Comunicação de Risco na Saúde Pública, que irá trazer a Lisboa, de quinta-feira a domingo, centenas de especialistas portugueses e estrangeiros. No encontro serão apresentados os mais recentes estudos feitos nesta área.
O Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) reconhece a existência do comércio de medicamentos pela internet e admite que até “é um negócio em expansão”, mas reconhece a dificuldade de o controlar, por ser uma actividade ilegal.
Fonte do Infarmed disse ao CM que “não é possível saber a dimensão da realidade”. Aquele organismo participa num grupo de trabalho da Agência Europeia do Medicamento para delinear estratégias de combate à contrafacção. “Foram identificados dois ‘sites’ em Portugal através dos quais eram vendidos medicamentos”.
FRAUDE
À Associação para a Defesa do Consumidor (Deco) não chegaram queixas, antes alertas contra a venda de produtos químicos. O secretário-geral, Jorge Morgado, não tem dúvidas de que são perigosos para a saúde. “Temos alertado repetidamente para a venda de medicamentos pela ‘net’, que é extremamente perigosa, porque se trata de produtos falsificados.” A falta de reclamações deve-se, segundo aquele responsável, ao facto de as pessoas “não quererem confessar que caíram na burla e expor-se à compra, ilegal, de um medicamento, por exemplo, para fins de natureza sexual, como o Viagra”.
Jorge Morgado diz ser fácil aceder à compra porque “qualquer pessoa com um computador recebe dezenas de mensagens a anunciar medicamentos, alguns de receita médica obrigatória”.
Quem os adquire não sabe que compostos está a comprar e cai numa fraude, porque muitas vezes não recebe o produto depois de pago.
MAU USO
O mau uso dos medicamentos é outro problema grave de saúde pública que pode resultar na morte. Quem alerta é a farmacêutica Paula Martins, do Centro Nacional de Estudos Farmacoepidemiológicos. “Se a pessoa interrompe ou altera o tratamento [toma três comprimidos em vez dos cinco prescritos, por exemplo] ou o horário da toma, pode ter graves consequência que podem chegar à morte.”
Os idosos, os menos instruídos e os doentes que tomam vários remédios são quem está mais exposto a estes perigos.
ALERTA DA UE PARA O RISCO
O Infarmed avisa que não se deve comprar medicamentos pela internet, porque o risco associado à sua utilização é muito elevado. Esse risco deve-se à falta de controlos rigorosos de segurança, qualidade e eficácia demonstrada. Dá como exemplo o alerta feito pela Comissão Europeia em Abril, e divulgado no seu ‘site’ relativo a falsificações da substância activa rimonabant. Aquela substância destina-se a tratar a obesidade e factores de risco que lhe estão associados, bem como a cessação tabágica. Doentes que adquiriram cópias falsificadas colocaram a saúde em risco.
Segundo dados da União Europeia, mais de 170 medicamentos foram identificados como alvo de contrafacção através de canais ilegais de distribuição, sendo a internet o mais utilizado. Entre estes produtos estão incluídos hormonas de crescimento utilizadas na musculação e sedativos, remédios falsificados para a disfunção eréctil e infecções virais (como o Tamiflu, também indicado para a gripe das aves).
PEQUENAS NOTÍCIAS
NOVOS FÁRMACOS
A segurança dos novos medicamentos é outra preocupação que vai ser debatida no encontro de especialistas no Centro de Congressos de Lisboa, tendo o presidente do Infarmed, Vasco Maria, escolhido este tema para se pronunciar.
INFORMAÇÃO
Uma investigação do Centro Nacional de Estudos de Farmacoepidemiologia, que vai ser divulgado no congresso, revela que a maioria (57 por cento) das pessoas tem, de uma forma geral, um bom conhecimento das indicações do remédio que vai comprar na farmácia.
BASE DE DADOS
Metade das farmácias associadas da Associação Nacional de Farmácias (1200 estabelecimentos) fornece informações a uma base de dados sobre os medicamentos vendidos e as características da população na região onde está instalada.
OS DEZ MEDICAMENTOS MAIS VENDIDOS EM PORTUGAL (JANEIRO A ABRIL DE 2006)
DENOMINAÇÃO COMUM INTERNACIONAL - MARCA - EMBALAGENS VENDIDAS - MERCADO
Mimesulina - Aulin, Nimed - 660 439 - 8,7%
Sinvastatina - Arteriostad, Jabastatina - 609 794 - 8,0%
Omeprazol - Losec, Gasec - 603 338 - 7,9%
Alprazolam - Prazolam, Xanax - 561 291 - 7,4%
Azitromicina - Zithromax - 302 261 - 4,0%
Amoxicilina Ácido Clavulânico - Clavamox - 242 917 - 3,2%
Ibuprofeno - Arfen, Brufen - 228 999 - 3,0%
Fluoxetina - Digassim, Fluoxetina Germed - 222 641 - 2,9%
Ciprofloxacina - Ciplox, Ciflan - 217 595 - 2,9%
Diazepam - Bialzepam, Metamidol - 198 460 - 2,6%
Outras - DCI - 3 749 929 - 49,4%
Fonte: Infarmed - Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento
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