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Correio da Manhã

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Renato Seabra: Juiz irritado com lentidão da Procuradoria

O juiz do caso Carlos Castro manifestou-se nesta terça-feira "irritado" com a lentidão da Procuradoria de Nova Iorque em partilhar provas científicas com a defesa de Renato Seabra, acusado do homicídio do colunista, e prometeu acelerar as audiências.
4 de Outubro de 2011 às 20:19
Por decisão do departamento penal de Nova Iorque, Renato Seabra mantém-se detido na prisão de Rikers Island, partilhando um dormitório com outros reclusos
Por decisão do departamento penal de Nova Iorque, Renato Seabra mantém-se detido na prisão de Rikers Island, partilhando um dormitório com outros reclusos FOTO: Ricardo Durães/Lusa

"A este ritmo, vamos ter julgamento em Janeiro de 2013! Não estou contente com esta situação", queixou-se o juiz Charles Solomon à procuradora Maxine Rosenthal, na sessão desta terça-feira no Tribunal Superior de Nova Iorque.  
       
Depois do advogado de defesa, David Touger, se ter queixado da falta de cooperação da procuradora na entrega de informação, e de uma discussão exaltada entre os causídicos na sala de audiências, o juiz sublinhou que o defensor tem direito a essa informação.

Rosenthal apresentou desculpas, justificou-se com a falta de tempo para rever esses mesmos elementos e com o facto de alguma informação estar ainda incompleta. Prometeu também dar "maior enfoque" ao caso, mas tal não foi suficiente para o juiz.         

"Estou irritado com isto. Um mês para ler cinco páginas [de um relatório clínico] e ainda não leu? Nem explicou por que não quer entregar?", criticou o juiz Solomon.         

Solomon sublinhou que o homicídio ocorreu em Janeiro, teve grande cobertura mediática e é um crime grave, pelo que não se percebe de que se está à espera.         

"Neste caso, é tudo como arrancar dentes. Cada assunto é uma luta. Não estamos a chegar a tempo a nenhum lado. Começo a perder a minha paciência", afirmou.         

O juiz deixou mesmo o aviso que, se o caso não andar mais rápido, irá convocar audiências todas as semanas.         

"Vamos ter de ouvir este caso com maior frequência do que eu queria", disse.   

NOVA AUDIÇÃO DIA 28      

O juiz tentou agendar nova sessão já para a próxima semana, mas por incompatibilidade de agendas o caso será ouvido apenas a 28 de Outubro.  
        
Para dia 18 está marcada a continuação da avaliação psiquiátrica de Renato Seabra que a procuradoria pediu. Esta deverá contrariar uma outra apresentada pela defesa, que sustenta o argumento de que o jovem português sofria de "doença ou debilidade mental" quando cometeu o crime, e que poderá conduzir a uma sentença mais ligeira.         

Após a audiência, Touger afirmou que o objectivo é agora que o julgamento aconteça apenas no início de 2012.         

Se dentro da sala se mostrou exasperado com os argumentos da procuradoria sobre a demora na entrega de documentação, abanando a cabeça vigorosamente e passando a mão pelo rosto, à saída
não quis comentar a lentidão "para não irritar a procuradora ainda mais".         

A Procuradoria "filmou a sessão do psicólogo com Seabra, queremos cópia disso e ela não quer dar até à conclusão da próxima sessão e o relatório [psiquiátrico] ser entregue. É a prerrogativa dela", afirmou.         

"Por lei [Rosenthal] tem de nos dar todos os relatórios científicos que receber, e obviamente tem todas as provas de DNA analisadas", adiantou Touger.

SEABRA ACOMPANHADO PELA MÃE        

Usando um fato cinzento, cabelo curto e barbeado, Seabra compareceu na audiência juntamente com a mãe, Odília Pereirinha.        
 
Por decisão do departamento penal de Nova Iorque, mantém-se detido na prisão de Rikers Island, partilhando um dormitório com outros reclusos.        

"Espero que aguente. Está a viver sob muita pressão. Ele tem 20 anos", disse Touger.          

Seabra está acusado de homicídio em segundo grau pela procuradoria de Nova Iorque.         

O caso remonta a 7 de Janeiro, quando Carlos Castro, de 65 anos, foi encontrado nu e com sinais de agressões violentas e mutilação nos órgãos genitais no quarto de hotel que partilharam em Manhattan.  

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