Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
8

RESPONSÁVEIS REJEITAM CULPAS

O Instituto Português de Arqueologia (IPA) só soube que foram encontrados artefactos arqueológicos quando as obras de construção do centro comercial W Shopping, em Santarém, iam avançadas e “nada podia ser feito para as salvar”. O director do IPA, Fernando Ruas, diz ao CM que, apesar das diligências efectuadas em 2003, foi impossível confirmar a proveniência das terras na posse de um particular.
7 de Setembro de 2004 às 00:00
“O edifício estava praticamente terminado, o acesso ao subsolo para permitir uma confirmação técnica não era já possível e os diversos interlocutores contactados não permitiram confirmar os dados.”
Decorridos mais de dois anos entre a eventual destruição de um contexto arqueológico e a descoberta dos artefactos – e sem provas que responsabilizassem uma pessoa ou entidade –, não havia dados, segundo o responsável, que permitissem a apresentação de queixa-crime ao Ministério Público.
O IPA contactou o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) e a autarquia para a necessidade de uma actuação de “arqueologia preventiva, condicionando os licenciamentos a uma avaliação prévia do subsolo, em áreas com potencial arqueológico”. Acerca da importância dos achados, a arqueóloga Gertrudes Zambujo diz ser difícil apurar porque “estão fora do contexto histórico”, mas admite que são “importantes”.
AUTARCA NEGA NECESSIDADE DE PARECER
José Miguel Noras, presidente da câmara de Santarém em 2001, justifica ao CM que “não foi feito um pedido de parecer ao IPPAR porque a construção do W Shopping não estava na zona especial de protecção da igreja do hospital velho”, uma área do centro histórico de Santarém que consta no livro “Património Classificado”, volume III, editado pelo IPPAR. O ex-autarca reforça esta situação com o facto “de a torre de escritórios da construtora IMOCOM, que se localiza junto ao espaço comercial, ter sido alvo de um pedido de parecer àquele organismo e não ter merecido a fiscalização de arqueólogos”. José Miguel Noras diz que recebeu do técnico da autarquia a informação que “as terras daquele subsolo seriam terras de enchimento, ou seja, que teriam sido ali depositadas há 200 ou 300 anos e não seriam terras de origem”. Quanto à data do licenciamento e do início das obras, duvida “se não teria sido no actual mandato”. Até ao fecho da edição não foi recebida resposta do IPPAR.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)