Comandante-Geral alertou que a segurança reconhecida em Portugal não é "imutável" e exige "visão estratégica", "inteligência" e "determinação".
O Comandante-Geral da GNR alertou este domingo, no Porto, que a segurança reconhecida em Portugal não é "imutável" e exige "visão estratégica", "inteligência" e "determinação" para combater redes criminosas, novas formas de violência e a desinformação.
"Portugal continua a ser reconhecido como um dos países mais seguros da Europa e do mundo. Tal deve-se, em grande medida, à competência e ao elevado profissionalismo das nossas forças e serviços de segurança. Mas esta condição de segurança não é imutável, exige que a defendamos com visão estratégica, inteligência e determinação", sublinhou Rui Veloso.
"O despovoamento do interior, o envelhecimento da população, o isolamento, a maior exposição do território a fenómenos extremos, a circulação global de pessoas, a exploração das fragilidades humanas por redes criminosas e a difusão acelerada de novas formas de formas de violência e desinformação exigem respostas mais integradas, mais tecnológicas, mais preventivas e mais cooperativas", afirmou o tenente-general.
Para o responsável da GNR é essencial para garantir a segurança nacional, a coesão social e a defesa da democracia e liberdades em Portugal, afirmando-se como uma "força única e insubstituível" no sistema nacional, que tem de estar permanentemente capacitada e preparada para um mundo complexo, instável e imprevisível.
Veloso destaca e alerta que os riscos e as ameaças atuais não se apresentam de forma linear, nem respeitam fronteiras funcionais ou geográficas e elenca "as tensões geopolíticas e os conflitos armados, a instabilidade económica, as crises migratórias, as ameaças híbridas e a desinformação que convergem para o terrorismo e as novas formas de radicalismo transnacional.
Rui Veloso abordou também as alterações climáticas que se interligam com a vulnerabilidade demográfica e assimetrias do território, acrescentando que a segurança nacional passa pela segurança interna e proteção civil, como se registou nos incêndios que Portugal registou no passado.
O responsável congratulou-se pela reativação da Brigada de Trânsito, articulada com a estratégia para combater o aumento da sinistralidade nas estradas portuguesas.
"Queremos uma guarda mais capacitada e presente, comprometida com os direitos humanos, (...), uma guarda que valorize as pessoas, uma guarda empenhada na cooperação entre forças e serviços de segurança e que o trabalho conjunto é decisivo para a combater as ameaças. A guarda do futuro tem de ser firme, sem deixar de ser humana", concluiu.
Ainda sobre as novas dinâmicas criminais e sociais evidenciadas no Relatório Anual de Segurança Interna de 2025 --- RASI 2025 --- Rui Veloso disse serem inaceitáveis os números relativos a participações criminais, das quais 200 estavam relacionadas com violência doméstica em delitos nas escolas.
"Das mil participações criminais registadas a cada dia, cerca de 200 dizem respeito a violência doméstica, crimes rodoviários ou delitos em ambiente escolar. São números inaceitáveis. Numa sociedade democrática, que preza as liberdades, a sã convivência e o primado da cidadania, é absolutamente intolerável que cerca 20% dos atos criminosos participados tenham lugar na família, na escola ou nas estradas",
O responsável reconheceu e elogiou a importância da cooperação internacional, nomeadamente com a Guardia Civil do Reino de Espanha, a Gendarmerie Nacional de França e a Arma dei Carabinieri de Itália e agraciou com a Medalha Dom Nuno Álvares Pereira todas essas forças.
"É neste sentido, e como sinal de reconhecimento público, que tenho a honra e o privilégio de agraciar, nesta cerimónia, com a Medalha Dom Nuno Álvares Pereira --- Mérito da Guarda Nacional Republicana, a Guardia Civil e a sua Diretora-Geral, a Gendarmerie Nacional e o seu Diretor-Geral, e a Arma dei Carabinieri e o seu Comandante-Geral, pelo inestimável contributo que têm dado, para o prestígio, eficiência, projeção internacional e cabal cumprimento da missão atribuída à Guarda, em prol do interesse comum", sublinhou.
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