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Correio da Manhã

Portugal
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Retardante de ataque a fogos fica na gaveta

Produto foi testado em 2015, teve grande aceitação dos bombeiros e a Proteção Civil, num relatório, reconheceu-lhe "enorme potencial".
João Tavares 24 de Setembro de 2017 às 09:59
Fireboss
Fireboss FOTO: Direitos Reservados
A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) deu um parecer positivo ao uso de um retardante - cedido a título experimental em 2015 - para combater os fogos florestais, e na altura os comandantes de bombeiros mostraram-se "bastante agradados" com os efeitos do 'Firelimit'. Mas até hoje, este produto não foi adquirido pelo Estado.

"Não dá para perceber porquê. Tinha-se evitado a destruição de tanta floresta e de casas", diz ao CM Jorge Mendes, da Associação de Comandantes dos Bombeiros Portugueses, confrontado com a conclusão do relatório de 2016 a que o CM teve acesso.

Assinado pelo ex-presidente da ANPC, Francisco Grave Pereira, no documento, datado de 17 de maio, pode ler-se que num dos testes efetuados "o produto evidenciou um enorme potencial para uma utilização, em ataque ampliado preventivo, pelos Fireboss - avião médio anfíbio -, nomeadamente se utilizado nos primeiros 30 minutos do incêndio".

"Este produto é amigo do ambiente, não é tóxico, e tem um efeito de quinze dias. O produto ao ser derramado cria uma barreira ao fogo e impossibilita reacendimentos", segundo Jorge Mendes. "Certamente, tem de haver um investimento para adquirir o retardante, mas poupam-se milhões na destruição de bens", diz o responsável.

Os testes também foram feitos em viaturas dos bombeiros e em extintores, tendo os resultados também sido animadores. "Isto foi falado várias vezes com a ANPC antes do início da época de fogos, mas ninguém percebe porque é que não foi adquirido" pelo Estado, diz.

PORMENORES
4,2 euros por litro
Foi uma empresa espanhola sedeada em Pontevedra que cedeu o produto para que as autoridades portuguesas o experimentassem. O retardante testado custa, por litro, 4,2 euros.

Defende casas
No relatório da ANPC conclui-se que o produto "poderá revelar--se interessante para utilização na defesa de património, atrasando a propagação do incêndio e facilitando o ataque de meios terrestres".

Espumífero
Ao CM, a Proteção Civil diz ter estreado este ano um espumífero no combate aos fogos. Diz ainda estar a avaliar o uso de produtos em fase de testes nos aviões Fireboss. Decisões só a partir de outubro.
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