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Correio da Manhã

Portugal
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Revolta na Polícia

Vinte e nove superintendentes da PSP, conhecidos como os ‘generais’ da força de segurança, subscreveram uma carta de denúncia da situação "insustentável" que dizem viver-se na corporação. A missiva foi entregue na última quarta-feira, no Ministério da Administração Interna.

21 de Janeiro de 2012 às 01:00
Os polícias do aeroporto comeram piza como forma de protesto
Os polícias do aeroporto comeram piza como forma de protesto FOTO: Vítor Mota

A par da reflexão inédita dos oficiais esteve, desde sempre, o director nacional da corporação, Guedes da Silva, que leu a carta antes dela ser submetida à apreciação da tutela.

"O reforço das medidas de austeridade, e o seu efeito na actividade da Polícia, levou a que os superintendentes da PSP se juntassem para reflectir", explicou ao CM fonte conhecedora do processo.

O director nacional da PSP, Guedes da Silva, foi informado, desde o início, do que os superintendentes pretendem que seja "uma denúncia do empobrecimento gradual da Polícia".

Entre os 29 superintendentes subscritores – ou meros apoiantes – do documento, a que o CM teve ontem acesso, estão os comandantes dos comandos de Lisboa, Porto, Setúbal, Coimbra, Braga, responsáveis por unidades de reserva da Polícia, e até oficiais em missões de serviço no estrangeiro.

Factores como o não posicionamento de milhares de polícias nos novos índices remuneratórios, a falta de nomeações de oficiais superiores para os cargos que desempenham e ainda o recente atraso no pagamento dos gratificados tornaram "urgente" a entrega de uma carta para apreciação no MAI. "Nada é reivindicado. Apenas se pretende fazer um alerta", adiantou outra fonte.

Entretanto, ontem à hora de almoço, 50 agentes da PSP do Aeroporto da Portela, em Lisboa, juntaram-se em protesto para denunciar as "arbitrariedades cometidas pelo comando daquela unidade". Enquanto os agentes comiam piza, depois de se recusarem a almoçar na messe, José Mendes, presidente da distrital de Lisboa da ASPP, denunciou o facto de o comando da PSP do aeroporto "não permitir trocas nas escalas de gratificados, nem alterações aos horários", explicou.

A Direcção Nacional da PSP decidiu, pouco depois do protesto, aplicar um processo disciplinar a todos os participantes, referindo que aquele acto consubstancia "uma falta disciplinar".

PROTESTOS POLÍCIA SUPERINTENDENTES
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