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Correio da Manhã

Portugal
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Vinte e duas famílias desalojadas no Cacém

Risco de queda de muro obrigou à evacuação de três edifícios durante a noite.
20 de Novembro de 2014 às 23:17
Elementos da Proteção Civil e dos Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém em frente a um dos prédios evacuado
Elementos da Proteção Civil e dos Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém em frente a um dos prédios evacuado FOTO: CMTV

O risco de derrocada de um muro obrigou esta quinta-feira ao desalojamento de 22 famílias no Cacém, oito delas deslocadas para o Centro de Emergência da Idanha, em Belas, disse fonte da Proteção Civil de Sintra.


De acordo com a mesma fonte, o muro, que sustenta um terreno privado, encontra-se nas traseiras dos três edifícios que foram evacuados pelos bombeiros e pela Proteção Civil por volta das 20h16 desta quinta-feira. Os edifícios evacuados são os números 12, 10 e parte do número 8 na Rua São Tomé e Príncipe, no Cacém.

Nesta operação estiveram envolvidos os Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém, a PSP e do Serviço Municipal de Proteção Civil de Sintra. Técnicos do Serviço Municipal de Proteção Civil de Sintra e os Bombeiros vão avaliar a situação na sexta-feira para determinar que medidas terão de ser tomadas para evitar a derrocada.

As famílias já vão poder regressar às suas casas esta sexta-feira, com exceção de quatro pisos nos dois edifícios, segundo avança a câmara de Sintra.

Maioria dos moradores de prédios pode voltar a casa

A Câmara de Sintra informou que a maioria dos residentes dos três prédios afetados pela derrocada parcial de um muro pode regressar às habitações e apenas uma pessoa precisa de apoio da autarquia.

Em comunicado, a autarquia referiu que, após uma vistoria realizada esta sexta-feira aos três edifícios no Cacém, concluiu-se que os prédios "não foram afetados na sua estrutura". Na quinta-feira foram evacuados por precaução os números 12 e 10 e parte do n.º 8 da Rua de São Tomé e Príncipe, no Cacém, quando o muro ameaçava ruir, o que acabou por acontecer já depois da meia-noite, contaram à Lusa moradores na zona.


Na sequência da vistoria realizada esta sexta-feira, podem regressar a casa quase todas as 22 famílias desalojadas, com exceção das que habitam no rés-do-chão e no 1.º andar do n.º 12 e no rés-do-chão e cave do n.º 10, acrescentou o comunicado.

Trabalhos de limpeza no local
"No mais curto período de tempo vão iniciar-se os trabalhos de limpeza do local, seguindo-se o estudo das obras de estrutura a efetuar no muro de suporte, respetiva calendarização e cálculo do custo da intervenção", concluiu a autarquia. Uma fonte oficial do município revelou à agência Lusa que, dos apartamentos que vão continuar vedados, apenas "uma pessoa vai continuar a precisar de apoio" de realojamento do município.

"As pedras partiram a parede e a marquise, na zona da cozinha", descreveu de manhã Maria Amália, residente no primeiro andar do n.º 12, o edifício mais afetado pela derrocada do muro e de terras do terreno situado atrás dos prédios. Maria Amália explicou que, em agosto de 2011, a Câmara de Sintra notificou o condomínio para o risco de derrocada do muro, mas os moradores responderam à autarquia que "a responsabilidade pela reparação era do proprietário do terreno".


"Os proprietários já tinham sido notificados em 2011 de que o muro estava a necessitar de reparação e a verdade é que não foi feito nada", confirmou o presidente da autarquia, Basílio Horta (PS), reconhecendo que "as obras vão ser muito complexas". O autarca admitiu que, numa situação de emergência, a câmara avançará com obras, "mas depois têm de ser pagas pelo proprietário privado".

Moradores assustados com estrondo "muito grande"

As 20 pessoas das oito famílias foram realojadas com o apoio da Proteção Civil e da Segurança Social, enquanto as restantes vão ficar em casa de familiares. Ainda segundo as autoridades, o muro de sustentação de terras está partido ao meio em consequência da acumulação de água no terreno.

Maria do Céu, 53 anos, residente no terceiro andar do prédio número 12, disse à Lusa que ouviu "um estrondo muito grande e o prédio deu todo de si". Maria do Céu vai ser realojada, juntamente com a filha e uma sobrinha, no Centro de Emergência da Idanha.


Na garagem de um dos prédios funcionava uma associação chamada Entre Gatos, que acolhia dezenas de gatos. Ema Cardoso, presidente da Associação Entre Gatos, disse à agência Lusa que os animais vão ser distribuídos por várias pessoas que se disponibilizaram para cuidar deles.

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