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Correio da Manhã

Portugal
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ROBÔS QUEREM VENCER HUMANOS EM 2050

A partir de hoje e durante cinco dias vai gritar-se ‘golo!’ na FIL, em Lisboa. Robôs provenientes de 37 países, entre os quais Irão, Japão, Alemanha, Portugal ou Argentina, irão rematar à baliza pela conquista do título de campeão mundial nas diferentes oito ligas do RoboCup 2004.
29 de Junho de 2004 às 00:00
O segredo de colocar os robôs reais a jogar futebol passa, “segundo uma explicação simples, por sensibilizar os equipamentos para as cores”, disse ao CM Fernando Ribeiro, professor da Universidade do Minho. “Em prova, a baliza de cada equipa tem uma determinada cor (azul e amarelo), a bola é vermelha, o campo verde traçado com linhas brancas”, acrescentou Fernando Ribeiro.
O objectivo da prova é demonstrar “o alto nível de esforço realizado na investigação nos campos da inteligência artificial e robótica”, sublinharam, por sua vez, Pedro Lima e Luís Custódio, professores no Instituto de Sistemas de Robótica do Instituto Superior Técnico, entidade que organiza o torneio.
“Este ano, a maior parte das equipas de robôs reais vai actuar sob a luz artificial sem focos de luz adicionais”, precisaram os investigadores. “Este será mais um passo na direcção do objectivo final do RoboCup, que é o de construir uma equipa de robôs capaz de derrotar os Campeões Mundiais de Futebol em 2050”, acrescentaram.
Uma meta que para Fernando Ribeiro “é possível que venha a ser alcançada tal como no xadrez, também um computador já derrotou o campeão mundial Kasparov”.
“Acredito nisso, há oito anos estava muito céptico, mas hoje os robôs conseguem realizar jogadas planeadas, fazer passes de bola e obviamente marcar golos com maior facilidade”, sustentou o professor do Minho. No frente-a-frente estarão em prova robôs de pernas e não rolantes. No final a inteligência artificial “talvez não ganhe mas o importante é que se esforce”, defendeu Fernando Ribeiro.
ROBÓTICA CATIVA MAIS ALUNOS
A Minho (Fernando Ribeiro, Pedro Silva, Ivo Moutinho, Nino Pereira, Carlos Fraga, e António Sampaio) é uma das equipas portuguesas favoritas na liga de robôs de dimensão média. O segredo para a vitória está no interesse dos alunos pelos robôs, revelou o líder da equipa vencedora do campeonato Robótica 2004, no Porto; segundo lugar, em Abril passado, no campeonato europeu, em Paderborn (Alemanha) e quinto lugar no campeonato do mundo de 2003 em Pádua (Itália). Fernando Ribeiro, professor de robótica do departamento de electrónica industrial e computadores da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, em Guimarães, sublinhou que “o objectivo deste campeonato é científico, obtendo os alunos uma maior satisfação na aplicação de fórmulas num robô em que observam depois o funcionamento”. Consciente que os anos 80 foram dos computadores e os noventa da internet, Fernando Ribeiro, de 37 anos, entende que a primeira década deste século “é da robótica e da inteligência artificial”. Sobre o jogo em si, o professor explicou que cada parte dura dez minutos e em campo estão de 4 a 6 robôs.
MAIS DE MIL PROVENIENTES DE 27 PAÍSES
São mais de 1600 os participantes no Campeonato Mundial de Futebol de Robôs - RoboCup’2004 que até dia 3 decorre no Pavilhão 4 da FIL, em Lisboa. Em prova estarão 346 equipas (53 portuguesas) provenientes de 37 países e que farão rolar pelos ‘relvados’ cerca de 600 robôs. Tal como num jogo de futebol de humanos, nas bancadas serão esperados gritos de golos. Encerrado o campeonato, a RoboCup Federation, uma organização sem fins lucrativos sediada na Suíça, promove nos dias 4 e 5 duas conferências científicas, que decorrem no Instituto Superior Técnico.
DESAFIO PARA A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
CONHECIMENTO
Recorre ao futebol mas não é um campeonato desportivo. O RoboCup é uma iniciativa que visa promover a investigação no campo da robótica e da inteligência artificial, fornecendo um problema standard onde podem ser usadas, examinadas e integradas várias tecnologias.
8ª EDIÇÃO
Lisboa recebe a 8.ª edição do RoboCup. Iniciativa anual que arrancou em 1997, em Nagoya (Japão) e tem por tradição, nos anos de europeu ou mundial de futebol decorrer no país que organiza esse evento. Na RoboCup Federation participam quatro mil investigadores de todo o mundo.
OITO LIGAS
Numa competição de resultados imprevisíveis (basta uma pequena avaria para uma equipa sair de prova), os jogadores repartem-se por oito ligas: Robôs médios, pequenos, cães robóticos, humanóides, futebol simulado, busca e salvamento, simulação, e RoboCup Júnior.
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