Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
6

Roubo deixa três aldeias sem luz

Os habitantes de três aldeias do concelho de Porto de Mós ficaram ontem várias horas sem energia eléctrica, porque os fios da electricidade – em cobre – foram roubados durante a noite. Os ladrões subiram aos postes, cortaram quase um quilómetro de linha e partiram sem deixar rasto.
22 de Outubro de 2006 às 00:00
“Isto é gente que sabe o que está a fazer. Corta primeiro do lado que vem a electricidade e depois é só enrolar e levar o cabo”, afirma Eduardo Silva, funcionário da empresa contratada pela EDP para repor as linhas.
Pelos relatos da população, o corte dos fios ocorreu pelas 05h00. Em Vale Travelho, freguesia de Pedreiras, os larápios aproveitaram uma rua sem iluminação pública e furtaram as quatro linhas em cobre, num vão entre dois postes. Só neste local, levaram perto de 400 metros de fio.
A poucos metros dali, na Tremoceira, esgueiraram-se pelas traseiras de um posto de abastecimento de combustível e cortaram mais cinco linhas. A povoação ficou sem electricidade toda a manhã, com prejuízos para os estabelecimentos comerciais. “Perdemos o melhor período do nosso trabalho, a um sábado”, lamenta Joaquim Marques, responsável pelas bombas de gasolina da Cipol, junto ao IC2.
Indiferentes ao facto das linhas estarem em tensão – 230 volts –, os assaltantes ainda passaram pela aldeia de Casal da Fonte, onde furtaram mais fios. A ‘avaria’ só ficou regularizada ao fim da manhã.
“Infelizmente, isto começa a ser normal”, refere Eduardo Silva, recordando um furto semelhante ocorrido na mesma zona “há uns dois meses”. As autoridades policiais admitem estar perante um grupo organizado que se dedica a furtar o cobre, para o derreter e vender a preços mais baixos.
COBRE VENDIDO ÀS FUNDIÇÕES
O negócio do cobre alimenta sucateiros que o compram no mercado negro a preços irrisórios e o vendem com grande margem de lucro a empresas de fundição – onde é derretido e enviado para as indústrias de transformação.
O regressa ao mercado é feito sob as mais diversas formas: fios eléctricos, tubos de canalização, tachos e panelas. O cobre é ainda indispensável para fazer bronze, liga utilizada na fabricação de peças mecânicas. Segundo um empresário do sector, um quilo de cobre limpo pode render perto de dois euros.
E quanto maior for a quantidade disponível para negociar, mais peso no mercado ganha o vendedor. Actualmente, grande parte de cobre vendido pelas sucateiras portuguesas tem como destino a vizinha Espanha. Mas começam a emergir novas oportunidades de negócio, em particular com a China. O roubo de cobre chega a registar-se até nas próprias sucateiras.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)