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Correio da Manhã

Portugal
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Roubou e fugiu do tribunal

Entrou na casa das pessoas pela janela, sequestrou-as e roubou-lhes dinheiro. Foi desta forma o modus operandi de Fernando F., de 31 anos, técnico de frio, que vai ser julgado no Tribunal de Viseu pela autoria de oito crimes de roubo, sequestro e de ofensas à integridade física.
4 de Junho de 2007 às 00:00
Momento em que militares da GNR capturaram o assaltante, após ter fugido do interior do Tribunal Judicial de Viseu
Momento em que militares da GNR capturaram o assaltante, após ter fugido do interior do Tribunal Judicial de Viseu FOTO: Luis Oliveira
O indivíduo ficou conhecido por, após primeiro interrogatório judicial, e na altura em que aguardava a decisão do juiz, ter fugido do tribunal.
Os factos remontam a Maio e Julho do ano passado. De acordo com a acusação deduzida pelo Ministério Público de Viseu, o arguido entrou pela janela numa residência na Aguieira, agarrou a locatária pelo pescoço na presença da neta de dois anos e, sob ameaça de uma faca, “exigiu dinheiro”. Roubou-lhe 120 euros em dinheiro, uma colecção de moedas antigas e uma pistola que estava num cofre.
Na noite de 13 de Julho de 2006 o homem é acusado de ter assaltado, encapuzado e sob ameaça de uma arma de fogo, duas residências em Orgens – numa das quais agrediu um idoso – e o Núcleo de Viseu da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral, local onde viria a ser capturado pela GNR.
No entanto, a detenção revelou-se muito complicada e obrigou a uma intensa luta corpo a corpo entre o assaltante e os guardas. Na refrega, o indivíduo conseguiu apanhar a arma dos militares e feriu um numa perna.
As peripécias do assaltante continuaram no dia seguinte, desta vez no interior do Tribunal de Viseu. Após o interrogatório judicial, o arguido, acompanhado por quatro militares da GNR, sentou-se no banco de uma sala onde esperou pela decisão do juiz.
De repente, e quando estava algemado com as mãos na barriga, levantou-se, rebentou a fechadura da porta e fugiu pela saída de emergência do tribunal. Os guardas encetaram a perseguição, ainda dispararam vários tiros para o ar, mas o fugitivo não se intimidou. Só parou quando caiu num silvado, a cerca de 500 metros do Palácio da Justiça. O indivíduo voltou ao tribunal e depois recolheu à cadeia de Viseu onde está em prisão preventiva.
IDOSO APANHOU LADRÃO NA CAMA
Celestino Santos, de 68 anos, residente em Orgens (Viseu), testemunha no processo, não se esquece da madrugada do dia 14 de Julho de 2006. O homem apanhou um grande susto quando naquela noite se foi deitar e no quarto estava, em cima da sua cama, um ladrão encapuzado. “Apanhei um susto de morte”, desabafou na altura o sexagenário, acrescentando: “Entrei no quarto e vi tudo remexido. O indivíduo estava com a cara tapada, apontou-me a arma à cabeça e tapou-me os olhos. Pensei que ia morrer, mas depois acabou por fugir”, disse ao CM.
De acordo com a Acusação, depois de sair da casa de Celestino Santos, o assaltante dirigiu-se para casa de uma senhora, que agrediu com a coronha da pistola e a quem roubou cerca de 40 euros e o cartão multibanco, exigindo também o código. O indivíduo pôs-se depois em fuga porque chegou o marido da vítima.
A ‘actividade’ do suspeito só acabaria na Associação de Paralisia Cerebral, às 04h00, onde foi apanhado depois de ter rebentado o cofre e quando se preparava para fugir com duas caixas com dinheiro. No entanto, uma funcionária avisou a GNR que acabou por capturar o sujeito.
PORMENORES
ANTECEDENTES
Na altura dos factos, o arguido já era um ‘velho conhecido’ das autoridades policiais da região de Viseu. Já tinha cumprido cinco anos de prisão efectiva por crimes de furtos e roubos.
TEMOR DE HIV
O soldado da GNR que se envolveu na luta corpo a corpo com o assaltante realizou exames de despistagem porque, na altura, havia a suspeita de o indivíduo ser seropositivo. As análises viriam a dar negativo.
AGRESSÕES
Na altura em que foi detido, o arguido queixou-se de ter sido agredido por militares da GNR. No entanto, a guarda apressou-se a desmentir as acusações.
ATINGIDO
O indivíduo caiu num silvado quando fugia dos guardas porque ia algemado. Depois começou a gritar e a queixar-se de que tinha sido atingido numa orelha, o que não se verificou.
SAIBA MAIS
- 23 314 é o número de furtos em residências registado, em 2006, pelas autoridades policiais, de acordo com o Relatório de Segurança Interna.
- 15 anos de prisão é a pena máxima prevista para o crime de roubo quando acompanhado de ofensa à integridade física grave.
AUMENTO
Em comparação com 2005, no ano passado registou-se um aumento de 6,7 por cento do número de furtos em residências.
RESISTÊNCIA
No que respeita a casos de resistência e coacção sobre funcionário, em 2006 registaram-se 1698 casos, menos 0,6 por cento do que em 2005.
AGRESSÕES
Em 2006, as autoridades policiais registaram 39 240 casos de crimes de ofensas à integridade física.
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