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Correio da Manhã

Portugal
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Rúben ainda recebe apoio psicológico

Um ano depois do brutal espancamento, o jovem de 16 anos refaz a vida em Lisboa.
Pedro Galego 16 de Agosto de 2017 às 08:34
Vilma Pires e o filho Rúben Cavaco
Rúben Cavaco
Haider e Ridha, 17 anos, são os filhos do embaixador do Iraque
Haider e Ridha
Rúben Cavaco foi agredido após deixar a namorada em casa
Vilma Pires e o filho Rúben Cavaco
Rúben Cavaco
Haider e Ridha, 17 anos, são os filhos do embaixador do Iraque
Haider e Ridha
Rúben Cavaco foi agredido após deixar a namorada em casa
Vilma Pires e o filho Rúben Cavaco
Rúben Cavaco
Haider e Ridha, 17 anos, são os filhos do embaixador do Iraque
Haider e Ridha
Rúben Cavaco foi agredido após deixar a namorada em casa
"Por mais voltas que a vida dê, aquele dia nunca mais se vai apagar da memória", confessa Vilma Pires, mãe de Rúben Cavaco, o jovem de 16 anos agredido em Ponte de Sor pelos filhos do embaixador do Iraque. Passa amanhã um ano.

A família rejeita novas aparições públicas e diz que agora só quer que o jovem possa refazer a vida. Hoje, depois de vários meses de impasse, quer na Justiça, quer no aspeto diplomático que envolveu todo este caso, os dias de Rúben são bem mais tranquilos, embora ainda receba apoio nas consultas regulares com uma psicóloga.

"O Rúben nunca mais foi o mesmo, mas aos poucos esperemos que ele cumpra o que ambiciona para o seu futuro", concretiza Vilma.

O jovem foi viver para Lisboa com os avós, está a completar o 9º ano de escolaridade e depois quer seguir o sonho de ser barbeiro, "a maior das suas ambições". Rúben tem uma namorada nova e só a espaços se desloca a Ponte de Sor para estar com a mãe, o padrasto e os irmãos.

A saída da cidade alentejana foi fundamental para começar a afastar os fantasmas da madrugada do dia 17 de agosto de 2016, quando ficou às portas da morte depois de ter sido espancado por Haider e Ridha. 

Acordo acabou com o processo judicial 
O acordo conseguido pelo advogado da família de Rúben, Santana Maia, e mediado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, levou ao encerramento do processo judicial em Portugal.

O Ministério Público indiciou os dois jovens iraquianos por homicídio qualificado na forma tentada.

Embaixador e filhos pagaram 52 mil euros e Iraque ordenou o seu regresso ao país
O Iraque retirou o embaixador e os dois filhos da missão diplomática em Portugal depois de ter sido paga a indemnização a Rúben. O acordo firmou uma verba de 40 mil euros - a juntar aos cerca de 12 mil já adiantados para as despesas de saúde durante o internamento do jovem, que esteve vários dias em coma no Hospital de Santa Maria.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o processo judicial prossegue no Iraque com os elementos fornecidos pela investigação portuguesa do caso de Ponte de Sor.

PORMENORES 
Imunidade
Haider e Ridha nunca foram ouvidos como arguidos pelo Ministério Público. Dispõem de imunidade diplomática ao abrigo da Convenção de Viena.

Agressões
Na investigação, uma testemunha contou que Rúben foi agredido por cada um dos irmãos "com pelo menos 10 pontapés na cabeça". O jovem sofreu um traumatismo cranioencefálico grave, teve dentes partidos e outras marcas no rosto.

Confissão
Os irmãos iraquianos, à data com 17 anos, deram uma entrevista poucos dias depois do espancamento, onde confessaram as agressões e pediram desculpa pelo mal causado a Rúben. Um deles tirava um curso de piloto em Ponte de Sor e foi expulso da escola.
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