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Correio da Manhã

Portugal
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Rui Moreira: "Rui Rio tem competência para primeiro-ministro"

Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, dá entrevista ao Correio da Manhã.
Lídia Magno e Pedro H. Gonçalves 19 de Setembro de 2014 às 01:00
O autarca portuense com o diretor do Correio da Manhã, Octávio Ribeiro, na redação do jornal
O autarca portuense com o diretor do Correio da Manhã, Octávio Ribeiro, na redação do jornal FOTO: Pedro Catarino

Correio da Manhã – Como está a correr a coligação com o PS na Câmara do Porto?

Rui Moreira – Aquilo que fizemos foi um acordo de coligação, que tem corrido bem. Há uma total lealdade da parte do PS e do PS/Porto, do lado da concelhia
a que Manuel Pizarro também preside.

Pode ser um balão de ensaio para o que vier a acontecer nas eleições legislativas?

Vamos ver o que acontece nas legislativas. Só conhecemos uma das lideranças e não sabemos o que vai acontecer daqui até julho do próximo ano. Muita coisa vai ser feita. Confesso que não queria fazer prognósticos.

Acredita que pode haver uma maioria absoluta?

Não me parece que seja muito provável, mas chamo a atenção sobre a volatilidade dos acontecimentos. O que é hoje e o que sucede daqui a um ano, pouco podemos prever. Há uma maior volatilidade no eleitorado do que se pensa. Assim se justifica o facto de ter ganho no Porto com tantos votos, o equivalente aos dois partidos somados.

E Rui Rio seria um bom candidato a primeiro-ministro?

Essa questão não se coloca nesta fase no PSD, a não ser que haja alguma coisa que não podemos admitir ou prever. No caso do PSD, a liderança é estável. Mas se me perguntar se Rui Rio tem condições pessoais, competência e qualidade para um dia vir a ocupar esse cargo, não tenho dúvida nenhuma.

Está preocupado com o efeito do Banco Espírito Santo (BES) no sistema financeiro português?

Preocupo-me como todos os portugueses. Era o maior banco nacional, estabilizado, com forte presença no mercado. Temo que possa resultar em dificuldades na concessão de crédito por parte das PME [Pequenas e Médias Empresas]. Essa situação trará inevitavelmente uma retração na economia, porque muitas dessas empresas encontravam no BES a sua fonte de financiamento, e isso é a coisa mais importante na economia. É a água com que regamos a nossa economia.

E os efeitos do ponto de vista externo?

Estou preocupado também do ponto de vista externo porque, numa altura em que havia uma credibilização da imagem de Portugal por um conjunto de fatores, não apenas por mérito do Governo mas pelo mérito dos portugueses pela forma como conseguimos reagir à crise e demonstrar que somos uma sociedade única, esta situação súbita do BES, em termos externos, não foi boa para a nossa imagem.

Em relação aos fundos comunitários, como é que se encontra o processo?

Até agora, não conhecemos a versão definitiva dessa parceria entre Portugal e a União Europeia. Estamos a analisar vários projetos de que temos vindo a falar e por isso estamos na expectativa. No entanto, enquanto não vir preto no branco em que programas podemos vir a candidatar-nos, compreenderão que tenha alguma cautela. Não quero antecipar-me.

Mas há atrasos que impedem essas candidaturas?

Enquanto nós não tivermos o próximo quadro comunitário devidamente estabilizado e não conhecermos oficialmente quais são os programas da nova parceria no horizonte 2020, não nos podemos comprometer com programas e políticas.

Como vê o estado do principal partido da oposição?

Aquilo que me preocupa mais é, por um lado, a forma como o debate tem decorrido. Recordo que na cidade do Porto, durante as últimas autárquicas, eu e os meus adversários tentámos sempre manter um nível de elevação e discutir as ideias pelas ideias. Temo que neste caso do PS se estejam a criar fraturas que não ajudam o eleitorado a valorizar o papel dos partidos, e a destruição da credibilidade dos partidos políticos muitas vezes decorre deste ambiente a que se assiste, a este confronto com características de personalização. Acho que isso é uma pena para o sistema político, para os partidos, e péssimo para a democracia.

Esse é um terreno fértil para o surgimento de candidatos populistas?

Não lhe chamaria populistas, porque também tem havido nos partidos opções populistas. O populismo não é um exclusivo de quem não está nos partidos. O que diria é que pode fomentar o aparecimento de deputados que dizem que são antipolítica, e isso é muito perigoso. Eu sou independente e nunca serei candidato de nenhum partido, mas não desvalorizo o papel dos partidos.

Perfil
Rui Moreira nasceu na cidade do Porto a 8 de agosto de 1956. Licenciou-se no Reino Unido em Negócios, onde foi o melhor aluno do curso. Tem uma carreira de empresário focada nos transportes marítimos e no setor imobiliário e liderou a Associação Comercial do Porto por mais de uma década. Concorreu como independente à autarquia do Porto, em 2013, sucedendo a Rui Rio.

À moda do Porto, aos domingos no CM

Rui Moreira vai dar a sua visão "a partir do Porto" sobre os mais variados temas da atualidade.

O autarca vai assinar uma página todos os domingos no Correio da Manhã. Rui Moreira explica, ao CM, que os leitores podem contar com a sua "visão a partir do Porto" daquilo que se passa "no País e no Mundo". Habituado a escrever em jornais, o presidente da Câmara do Porto afirma ser algo de que gosta muito, mas que foi obrigado a interromper "no último ano e meio por causa da campanha e das eleições autárquicas". "Muitos leitores têm pena que já não escreva", admite Rui Moreira. A visão do autarca no seu espaço semanal será abrangente. Rui Moreira promete escrever "sobre as coisas mais variadas, como sempre fiz", salienta. O espaço de opinião vai ainda contar com a interação do autarca com os cidadãos.

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