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Correio da Manhã

Portugal
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Ao minuto Atualizado às 16:42 | 23/09

FPF só percebeu que tinha sido alvo de ataque informático quando PJ analisou discos de Rui Pinto

Inspetor José Amador vai continuar a ser ouvido e contar os pormenores da investigação da Judiciária.
Pedro Zagacho Gonçalves 23 de Setembro de 2020 às 08:55
Rui Pinto
Rui Pinto
Rui Pinto
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Rui Pinto
Rui Pinto
Ao minuto Atualizado a 23 de set de 2020 | 16:42
16:39 | 23/09
Pedro Zagacho Gonçalves
A procuradora interrompeu para perguntar sobre o tema 'Mercado de Benfica'. O inspetor considerou que o blogue "é uma evolução natural do Football Leaks".

José Amador tratou depois de explicar que foram encontrados ficheiros sobre o 'Mercado de Benfica' em dois dos discos apreendidos ao hacker português.

Um dos ficheiros continha precisamente informação do código fonte e backoffice de acesso ao alojamento do blog (incluía até comentários de utilizadores).

Segundo a PJ, apenas o autor do blogue teria acesso a estes ficheiros.
16:11 | 23/09
A Judiciária encontrou vários indícios que davam conta de uma possível invasão dos sistemas, que veio a confirmar-se. Em causa estavam documentos, apresentados em tribunal, como acórdãos do Tribunal Arbitral do Desporto, lista de árbitros com moradas, telefones e outras informações pessoais, manuais técnicos da FPF, de configuração de VPN e informações internas relativas, por exemplo ao platina de dados de várias figuras de topo da Federação.

Estavam também nos discos e terão sido retirados, segundo o MP, ao sistema informático da FPF autos de processo disciplinar a Brahimi, acórdão do Conselho de Justiça da FPF, classificações dos árbitros na épocas 2014/2015, documentos técnicos de contactos de helpdesk e um processo de inquérito aberto a um jogo entre o Sporting e o Sporting de Braga.

Rui Pinto terá também acedido a uma rede interna da FPF, a score, cujo acesso necessita de password controlada e que permite consultar processos de jogadores de várias modalidades. Verificou-se que o acesso a estas plataformas foi feito pelo exterior. A PJ cruzou os documentos que estavam nos discos de Rui Pinto com os termos de pesquisa utilizados e o acervo de documentos da FPF e conseguiu fazer a reconstituição do que terá acontecido.

O inspetor José Amador foi ainda questionado pela procuradora sobre o suposto ataque à PLMJ. "De todas as situações, foi a mais clarividente", afirmou o inspetor, referindo que a auditoria feita a sociedade de advogados foi "de longe a mais bem feita".

Voltou a referir que, nos discos, eram muitas as evidências do ataque, começando logo pela estrutura das pastas alegadamente roubadas, que Inês Almeida Costa e João Medeiros, assim como outros advogados supostamente ‘espiados’, tinham nos seus computadores.
13:15 | 23/09
Ainda sobre o Sporting, o hacker terá levado a cabo uma série de ações remotas que deitavam abaixo os servidores do clube, até que "produziu dano irreversível e corrompeu ficheiros".

"Foram ataques de forma consecutiva e imediata. Foi por força disso que o sistema colapsou", explicou o inspetor José Amador, afirmando que os comandos foram inseridos manualmente primeiro e depois automaticamente.

Foram mostrados vários contratos e acordos de transferência publicados no FB Leaks e que estariam também nos discos de Rui Pinto: Danilo Pereira, Carrillo, Imbula, Defour, entre outros.

A procuradora parece querer provar ao tribunal que Rui Pinto é mesmo o responsável pelo FB Leaks, algo que o próprio já confirmou, quando se revelou o ‘John’ do site que abalou o mundo do futebol.

Após conseguir acesso ao painel de controlo das caixas de email da Doyen, segundo a PJ, Rui Pinto terá criado um mecanismo simples de reencaminhamento de emails, que lhe permitia receber numa caixa personalizada tudo o que qualquer pessoa da estrutura da Doyen recebia no seu correio electrónico.

O inspetor da PJ adiantou também que o email que seria utilizado por Rui Pinto na alegada tentativa de extorsão à Doyen (artem.lubozov@yandex.ru) era sempre usado com extrema cautela. No entanto, terá sido criado precisamente no mesmo dia que o Football Leaks, em setembro de 2015.
12:52 | 23/09
Rui Pinto terá usado email de Antero Henriques como porta de entrada na Doyen. Segundo relatou o inspetor da PJ o hacker alegadamente terá usado um email de Antero Henriques, ex-vice diretor de futebol do FC Porto, para enviar um email de phishing. A mensagem assemelharia-se a uma partilha de ficheiros por Dropbox, mas na realidade depois pedia o utilizador e password do email, que eram roubados.
10:58 | 23/09
A procuradora começou a questionar sobre o alegado ataque aos sistemas do Sporting. Segundo a PJ, Rui Pinto terá começado por aceder às contas de email de funcionários e foi subindo "em pirâmide" até chegar aos mais altos responsáveis do clube leonino, incluindo o acesso à conta de email de Bruno de Carvalho, então presidente dos Leões.

Segundo relatou, um dos IPS usados por Rui Pinto (dois húngaros e um da Universidade do Porto que servia de ‘máscara’), chegou a estar dois meses (entre julho e setembro de 2015) ligado ininterruptamente ao servidor de correio do Sporting.
10:52 | 23/09
O inspetor José Amador esteve a detalhar os vários métodos alegadamente usados por Rui Pinto nos ataques informáticos que lhe são imputados: o que são proxy’s, o que é uma VPN e como funciona a rede TOR (a mesma através da qual se avessa a ‘dark web’, ou a ‘Internet Negra’. Rui Pinto usaria todos este artifício com o objetivo de "ofuscar a sua identidade".

Foi apresentada a resposta das autoridades húngaras ao pedido feito pela PJ, para que o prestador de serviços de internet e cabo, ao qual estava associada a origem dos IPs utilizados no ataque, revelasse o cliente. Foi novamente referido que seria Balim Vozov, ao que tudo indica vizinho de Rui Pinto em Budapeste.

Foram mostrados os volumosos apensos (são três) onde estão todos os documentos publicados no Football Leaks e o inspetor confirmou que foi ele a fazer toda essa recolha: "era um trabalho moroso e repetitivo", considerou, uma vez que quando os sites ‘caíam’, surgiam noutro alojamento e obrigava a que o trabalho de recolha dos documentos e links voltasse a ser feito.
08:49 | 23/09
Continua esta quarta-feira o julgamento de Rui Pinto no âmbito do caso Football Leaks.

O hacker português é acusado de 90 crimes (um de tentativa de extorsão, seis de acesso ilegítimo, 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência e um de sabotagem informática.

Nesta que é a sexta sessão do julgamento, o inspetor da PJ José Amador, que acompanhou as operações que culminaram na detenção de Rui Pinto, vai continuar a ser ouvido e a contar os pormenores da investigação da Judiciária.

É expectável que, após terminar de ser questionado pela procuradora Marta Viegas, o inspetor responda às perguntas da defesa de Rui Pinto, que conta com o advogado Teixeira da Mota, e do outro arguido no caso, Aníbal Pinto, que esta terça-feira à tarde marcou presença em tribunal (e é esperado que esta quarta-feira também o faça).
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