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Correio da Manhã

Portugal

Saca 542 euros no cemitério às famílias dos mortos

Funcionário público rouba quantias anuais destinadas a pagar gavetas para guardar ossos.
Nelson Rodrigues 9 de Março de 2020 às 08:30
Cemitério de Agramonte
Cemitério de Agramonte FOTO: José Moreira
Funcionário na secretaria do cemitério de Agramonte, no Porto, o homem, de 56 anos, tinha como funções receber os pagamentos dos serviços de exumação, inumação, transladação dos corpos, assim como da ocupação dos ossários municipais - este último pago uma vez por ano, mas cujas quantias resolveu apoderar-se. Entre 2016 e 2019 ficou com 542 €, pagos pelas famílias dos mortos. O arguido, funcionário da Câmara do Porto, foi acusado de peculato.

A forma de atuar do arguido era sempre a mesma. Os treze lesados pagaram no cemitério as gavetas onde estavam guardados os ossos dos familiares - e o funcionário escrevia pelo seu punho, na fatura, a palavra ‘pago’ e colocava a sua assinatura. Porém, não inseria no sistema informático os dados referentes à liquidação do valor. No final do dia sobrava sempre na caixa a quantia em causa - que variava entre os 36 e os 52 € -, a qual utilizava em proveito próprio. O pagamento podia ser efetuado em dinheiro ou por multibanco, no cemitério.

O caso só foi descoberto em março de 2019 após denúncia dos colegas de trabalho do arguido. Em causa esteve o facto de vários ‘devedores’ terem comprovado que pagaram na secretaria do cemitério os valores em dívida - mostrando as faturas com a assinatura do arguido. O funcionário público foi alvo de um processo disciplinar e a câmara transferiu-o para outro posto, onde não contacta com pessoas. Justificou o crime com dificuldades financeiras.
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