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Correio da Manhã

Portugal
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Saco azul na Armada

A Marinha de Guerra determinou, ontem, a abertura de um inquérito para apurar alegadas irregularidades na gestão de verbas provenientes de multas passadas por polícias marítimos e sobre os emolumentos cobrados aos proprietários de embarcações comerciais, de recreio e de pesca, bem como aos adeptos da pesca desportiva.
1 de Agosto de 2007 às 00:00
Contas da Autoridade Marítima passadas a pente fino
Contas da Autoridade Marítima passadas a pente fino FOTO: Sérgio Freitas
A investigação em curso, ontem noticiada pela edição on-line do ‘Expresso’, surge na sequência de uma notícia que o Correio da Manhã publicou na edição da última segunda-feira sobre um ‘saco azul’ na Armada.
O inquérito visa, entre outros aspectos, apurar como é que a Direcção-Geral da Autoridade Marítima e os capitães dos 18 portos existentes no País fazem a gestão de 40% das verbas resultantes das multas e dos emolumentos (taxas).
PJ MILITAR
A investigação deverá ficar a cargo da Polícia Judiciária Militar, mas ontem ainda não se conhecia os nomes de quem vai integrar a equipa que ficará responsável pela condução do inquérito. Também não foi ainda imposto qualquer prazo para a conclusão do processo.
O inquérito decidido pela Armada tem também por objectivo apurar se há corrupção na escolha de oficiais para capitanias, cantinas, bares e nos vários sectores de compras existentes na Marinha de Guerra.
Em investigação estará também o destino dado ao dinheiro de recrutas que entretanto abandonaram a carreira militar e que alegadamente continua a ser processado.
Segundo um responsável da Armada disse ao ‘Expresso’, nunca alguém tinha levantado suspeitas em relação a estes factos no seio da instituição. Mas o CM confirmou que a Associação Sócio-Profissional da Polícia Marítima não só pediu, há vários meses, uma averiguação interna como entregou a todos os grupos parlamentares um dossiê com 250 páginas em que fazia muitas denúncias.
O chefe de Estado-Maior da Armada, almirante Fernando Melo Gomes, num comunicado ontem divulgado em todas as unidades e serviços da Marinha, prometeu ser “implacável” com quem não esteja a cumprir a lei e ameaça com expulsão os infractores, a sanção máxima que pode ser aplicada internamente.
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