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Correio da Manhã

Portugal
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Salomé conta inferno na prisão em Punta Cana

Salomé Santos, 70 anos, contou em entrevista ao ‘Sexta às 9’, da RTP, que viveu momentos de terror na cadeia onde esteve presa injustamente.
7 de Junho de 2014 às 20:48
A polícia encontrou 55 quilos de cocaína numa mala em nome de Salomé Santos, que estava de férias com a filha e um grupo de amigos em Punta Cana
A polícia encontrou 55 quilos de cocaína numa mala em nome de Salomé Santos, que estava de férias com a filha e um grupo de amigos em Punta Cana FOTO: DR

"Foi um pesadelo. O inferno da minha vida. Pensei que ia ficar o resto da vida presa. Pensei que morria naquela cadeia." É desta forma que Salomé Santos recorda os doze dias que esteve detida em Punta Cana, na República Dominicana, por suspeitas de tráfico de droga.

Salomé foi detida erradamente depois de as autoridades dominicanas terem descoberto uma mala com 55 quilos de cocaína em nome da algarvia à entrada do avião que a iria trazer de volta a Portugal. Estava de férias com a filha e amigos. Em entrevista ao ‘Sexta às 9’, da RTP 1, Salomé Santos conta que primeiro foi levada para um pequeno posto policial, no mês passado. "Estive um dia e uma noite sentada numa cadeira de plástico. Ninguém me dirigiu a palavra. Havia quatro homens na cela ao lado. Era uma imundície, cheio de bichos e dejetos", diz a algarvia de 70 anos, que vive em Albufeira.

Por falta de medicação, Salomé foi levada ao hospital. "Tive medo de ter outro AVC. Não havia quartos nem casa de banho, nem nada. Foi um polícia que me comprou água, escova de dentes, rolos de papel, sabonete, cuecas e sutiã." Antes de ser levada para a cadeia, a situação piorou. "No hospital roubaram-me a água e o dinheiro todo. E na prisão não dão nada a ninguém. É preciso pagar. É tudo comprado aos polícias. Passei 4 dias sem comer nem beber."

"Estava com mais sete mulheres na cela. Disseram para me deitar no chão. Se o fizesse já não me levantava. Foi uma grávida que partilhou uma esponja comigo para eu me poder sentar", diz. Salomé acabou libertada e o procurador responsável pelo caso pediu-lhe desculpa. Mas a portuguesa teve de pagar o bilhete de regresso do próprio bolso. "Eles não são humanos. O procurador destruiu a minha vida", diz, garantindo que "nunca mais" volta "a sair de Portugal".

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