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SALVADOR COM HÉLICES PESCA GENESIS NO AR

Como apareceu o Sistema Solar é a mais intrigante pergunta a que tenta responder a missão Genesis, que fica concluída amanhã, com uma reentrada aparatosa na atmosfera, depois de mais de três anos no espaço, a recolher partículas emitidas pelo Sol. A operação de regresso inclui uma manobra inédita, em que um helicóptero vai tentar capturar a cápsula em plena queda e trazê-la tranquilamente e em segurança até ao solo.
7 de Setembro de 2004 às 00:00
Lançada de Cabo Canaveral (EUA) a 8 de Agosto de 2001, a nave Genesis regressa na quarta-feira à Terra, marcando também o início da operação de investigação do material recolhido – amostras dos chamados ‘ventos solares’, que ajudarão a decifrar mistérios que remontam à formação do nosso sistema planetário, há milhões de anos. Trata-se de “um contributo fundamental para o conhecimento científico”, na opinião de Steven Brody, director executivo da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) para a missão Genesis. “Seremos capazes de dizer do que é composto o Sol, a um nível de precisão nunca antes visto na ciência planetária”, explicou, por seu turno, Don Burnett, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, que irá comandar as análises ao material trazido pela Genesis.
Mas para isso é preciso, antes de mais, que tudo corra como o previsto na arriscada operação de salvamento da cápsula. Amanhã, o engenho irá despenhar-se sobre os céus do estado norte-americano de Utah. Durante a entrada na atmosfera, um pára-quedas ajudará a reduzir a velocidade, mas não o suficiente para evitar o desmantelamento em caso de contacto com o solo.
Por isso, um helicóptero munido de um gancho colocado na ponta de um cabo vai tentar ‘pescar’ a sonda em plena queda. Parece complicado, mas a operação já foi simulada várias vezes com êxito – a aeronave faz um voo rasante sobre o pára-quedas, que fica enroscado no gancho.
SEGREDOS DO SISTEMA SOLAR
O nosso sistema planetário contém uma intrigante diversidade de planetas, luas, asteróides e outros corpos, que as teorias científicas dizem ter sido formados a partir de uma enorme e homogénea nuvem de poeiras e gás, conhecida como “nebulosa solar”. O processo que transformou essa nuvem naquilo que é hoje o Sistema Solar mantém-se um mistério que os cientistas querem resolver com a ajuda das amostras de ‘ventos solares’ trazidas pela Genesis. Esses ventos são na verdade fluxos de átomos carregados de electricidade – os chamados iões – libertados pela atmosfera solar. As partículas colhidas pela nave constituem uma espécie de registo fóssil dos materiais que formavam a antiga nebulosa. A própria constituição actual do Sol ainda está por determinar.
Nascida há milhares de milhões de anos, a estrela tem 1,4 milhões de quilómetros de diâmetro e é formada sobretudo por hélio e hidrogénio, mas estudos recentes apontam para a existência de pequenas partículas de mais de 60 elementos na sua composição.
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