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Correio da Manhã

Portugal
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Salvos das chamas

O objectivo do grupo de 55 excursionistas, que saíram ontem bem cedo de Oliveira de Azeméis, era desfrutar das belas paisagens dos campos de amendoeiras em flor, na região de Foz Côa. Mal sabiam que, com pouco mais de uma hora de viagem, ao subir o IP4 para Amarante, viveriam o pânico de ter de abandonar à pressa o autocarro tomado pelas chamas e carbonizado em poucos minutos.
5 de Março de 2007 às 00:00
Os excursionistas de Oliveira de Azeméis ficaram mais de duas horas à espera de outro autocarro debaixo de uma chuva torrencial
Os excursionistas de Oliveira de Azeméis ficaram mais de duas horas à espera de outro autocarro debaixo de uma chuva torrencial FOTO: Luís C. Ribeiro
“O motorista parou o autocarro porque lhe cheirava a queimado. Saímos todos para ver o que era quando nos deparámos com as chamas, ainda de pequena monta, mas que aos poucos subiram de tal forma que já não havia forma de lhes deitar a mão”, explicou ao CM António Oliveira, de 55 anos, um dos passageiros.
Tal como garantem os excursionistas, só não se registaram vítimas graças à pronta intervenção do motorista da viatura da Transdev, Manuel Monteiro, que parou na berma da estrada, no quilómetro 75 do IP4, e pediu às pessoas que saíssem, evitando assim a tragédia. Todavia, ninguém teve tempo para recuperar os bens que foram destruídos pelas chamas.
Com meia centena de pessoas aterrorizadas na berma da estrada, o motorista ainda tentou controlar o fogo com um extintor, mas o forte vento que se fazia sentir alimentou as labaredas que consumiram por inteiro o autocarro.
Enquanto esperavam pelos bombeiros e até que a empresa transportadora fizesse chegar ao local um outro veículo para transbordo, os passageiros, alguns deles idosos, foram deixados na margem direita da via debaixo de uma chuva torrencial.
Apesar de estarem assustados e encharcados, a juntar ao facto de terem perdido grande parte dos seus pertences, os excursionistas aceitaram a proposta da organizadora e continuaram viagem. Ao que o CM apurou junto de amigos dos passageiros, “mudaram o percurso, mas continuaram o passeio”, sendo aguardados em Oliveira de Azeméis apenas ao princípio da noite.
A coincidência da data ser a mesma da queda da ponte de Entre-os-Rios fez com que Maria Adelaide de Jesus se lembrasse do “acidente ocorrido há seis anos que vitimou tanta gente”. “Já tínhamos falado nisso na viagem e ao ver o autocarro a arder voltou-nos tudo à memória. A partir de hoje temos mais um motivo para nos lembrarmos de Castelo de Paiva”, disse.
Duas horas e meia depois do acidente, às 12h40, chegou finalmente outro autocarro da empresa, que recolheu os passageiros, transportando-os a Vila Real para tomarem uma refeição quente.
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