Entradas e saídas do Tribunal do Seixal fechadas, toda a gente foi revistada ontem de manhã no início do megajulgamento da ‘Máfia brasileira’ – o grupo chefiado pelo instrutor de jiu-jitsu Sandro Bala e responsável por 109 crimes violentos, entre homicídios, ofensas corporais agravadas, extorsão, prática de segurança ilegal em bares e discotecas. E a Polícia não deu tréguas. Durante mais de uma hora, o Corpo de Intervenção da Unidade Especial de Polícia varreu a sala de audiências à procura de bombas – contra atentados a magistrados, advogados e arguidos.
Dos 25 arguidos faltaram três: o cabecilha Sandro Bala e Wanderley, que estão em fuga no Brasil, e Leonardo Alves Oliveira, que faltou à audiência. Cinco estão presos e na sala mantiveram--se sob apertada vigilância do Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais.
De extorsões a agressões graves que levaram à morte de um homem com dois socos na cabeça, por exemplo, o grupo de Sandro Bala impôs-se na Margem Sul em 2001 – forçando donos de bares e discotecas a contratarem os seus serviços de segurança ilegal. E quando o gang foi preso, pela Unidade Especial de Combate ao Crime Violento do DIAP, já controlava a noite de Lisboa pelo terror.
Organizador de torneios entre academias de jiu-jitsu, em 2009 o cabecilha da rede não aceitou um ‘não’ do dono de outra academia. Perseguida e ameaçada à porta do Buddha Bar, em Lisboa, a vítima ouviu a seguinte frase de Bala: "A partir de agora és meu inimigo, vais ter de pagar. E quem manda na Margem Sul sou eu e não és tu que vais alterar as regras da academia, vais ter que passar no corredor e levar porrada." Acrescentou: "E se tu deres mais aulas de jiu-jitsu aqui ou em outro lugar eu vou-te matar."
Até 2010, dezenas de brasileiros chegaram para trabalhar como seguranças em bares e discotecas – forçando os donos a aceitá-los sob ameaças e extrema violência.
CABECILHAS EM FUGA JULGADOS À PARTE
O grupo de Sandro Bala foi desmantelado há mais de um ano mas até há três meses ninguém procurava o cabecilha, foragido no Brasil. Foi durante a fase de instrução do processo, em Dezembro passado, que o juiz Carlos Alexandre emitiu um mandado de detenção internacional em nome de Sandro Bala – a viver em São Paulo. Instrutor de jiu jitsu, o "mestre", como é respeitosamente tratado pelos cúmplices, vai ser julgado num processo à parte – tal como Wanderley Silva, que também fugiu para o Brasil pouco antes de GNR e PSP terem avançado com a operação de captura do grupo. A juíza justificou ontem a decisão com o facto de os dois membros da rede estarem foragidos, o que implica que não haja residência, e assim não podem ser notificados para comparecer às sessões.
MAGISTRADAS GUARDADAS 24 HORAS
A tensão foi aumentando cada vez mais ao aproximar do julgamento do ano no Tribunal do Seixal, com as três juízas que têm agora por missão julgar 25 acusados da ‘Máfia Brasileira’ a serem protegidas pelo Corpo de Segurança Pessoal da PSP. Também a procuradora do Ministério Público que está encarregada de defender em tribunal a Acusação requereu protecção pessoal contra o grupo chefiado pelo brasileiro Sandro Bala. O caso foi sujeito a duas avaliações do grau de ameaça aos magistrados, uma da própria PSP e outra a cargo do SIS, que concedeu protecção diária de 24 horas.
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