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Correio da Manhã

Portugal
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Sangue de Castro encontrado nas roupas de Renato

Várias peças de roupa usadas por Renato Seabra no dia do homicídio de Carlos Castro tinham vestígios de sangue da vítima, revelou nesta segunda-feira no tribunal de Nova Iorque a responsável pelos testes de DNA.
15 de Outubro de 2012 às 19:54
Escudando-se em relatórios psiquiátricos que apontam problemas mentais a Seabra, a defesa afiram que na altura do crime o jovem "estava em pensamento delirante"
Escudando-se em relatórios psiquiátricos que apontam problemas mentais a Seabra, a defesa afiram que na altura do crime o jovem 'estava em pensamento delirante' FOTO: d.r.

A especialista Jennifer DiAndrea testemunhou em tribunal que os vestígios de sangue foram encontrados na parte de dentro do sobretudo do jovem, acusado do homicídio de Carlos Castro, junto aos pulsos, e também nos ténis.

A descoberta de sangue de Carlos Castro junto aos pulsos, misturado com o de Seabra, deverá ser aproveitada em tribunal pela defesa, que não disputa que o jovem cometeu o crime, mas que sustenta que deve ser inocentado por ter sido um "episódio maníaco e de desordem bipolar" a levar ao homicídio, ocorrido a 7 de Janeiro de 2011 no Intercontinental Hotel.

Entre a hora do crime e a descoberta do corpo ao final da tarde, Seabra esteve no quarto durante perto de cinco horas e mutilou o corpo, sobretudo na cara e partes genitais.

Segundo a defesa terá cometido actos tresloucados com partes do corpo da vítima, incluindo nos pulsos.

No dia do crime, Seabra saiu do hotel de fato e gravata e com um sobretudo, afirmaram em tribunal anteriores testemunhas.

Escudando-se em relatórios psiquiátricos que apontam problemas mentais a Seabra, a defesa afiram que na altura do crime o jovem "estava em pensamento delirante, num episódio maníaco e desordem bipolar com características psicóticas graves".

A defesa argumenta que foi a doença mental a levar ao crime, após o qual o jovem se passeou pelas ruas da cidade num estado de alucinação, tocando nas pessoas.


A acusação sustenta que foi "raiva, desilusão e frustração" a levar Renato Seabra a matar o colunista social, directamente ligada ao fim da relação.

A defesa deverá também tentar explorar o facto de o telemóvel de Castro e a bateria, encontrados em locais diferentes do quarto, conterem vestígios de sangue de Seabra, uma vez que é indicação de que o homicida usou o telemóvel da vítima durante o crime.

A especialista em DNA deu ainda conta dos traços de sangue em algumas das armas do crime, incluindo uma televisão e uma cadeira.

Para poupar tempo, pela primeira vez o tribunal recorreu a "estipulações", por indicação do juiz Daniel Fitzgerald.

Tratam-se de esclarecimentos sobre provas que não são disputados entre os advogados, sendo lida uma declaração da testemunha, em vez de esta comparecer em tribunal.

Também nesta segunda-feira, foi ouvido o detective Bruce Kapp, da Polícia de Nova Iorque que acorreu ao Hospital Bellevue na madrugada de 8 de Janeiro, para cuja ala psiquiátrica Renato Seabra foi encaminhado do hospital Saint Lukes.


O acesso ao jovem sem mandato de captura foi negado então pelos responsáveis do hotel, tendo o detective conduzido a identificação das posses de Seabra, que incluíram o passaporte e vários documentos de identificação, cartões telefónicos, cerca de 1600 dólares em dinheiro, além das roupas.

O julgamento irá prosseguir ao longo de toda a semana, e o advogado de defesa, David Touger, acredita que o veredicto dos jurados será conhecido nos últimos dias de Outubro.

Seabra enfrenta uma acusação de homicídio em segundo grau, que implica uma pena mínima de 15 a 25 anos de prisão, podendo ir até perpétua.

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