Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

Sangue na estrada

Dezassete minutos bastaram para que seis pessoas morressem, ontem, nas estradas portuguesas. E para que as estatísticas da sinistralidade rodoviária voltassem a disparar. Se o primeiro dia da Operação Páscoa da Brigada de Trânsito da GNR tinha terminado sem vítimas, o número de mortos registado ontem é igual ao das primeiras 48 horas da operação de 2004. Sete. “Infelizmente, estamos na estaca zero”, desabafou fonte da BT.
26 de Março de 2005 às 00:00
O optimismo que, durante a manhã, reinava no comando da BT, e que sofreu um primeiro ‘golpe’ às 10h00, com a morte de um motociclista na Estrada Nacional 103, perto de Chaves, desapareceu por completo ao início da tarde. “Em escassos minutos, a seguir ao almoço, morreram seis pessoas devido a três acidentes”, indicou fonte da BT.
Às 14h13, numa altura em que o acidente da A1, de que resultaram quatro feridos, ainda provocava atrasos no trânsito desde Santarém (a fila chegou a ter 40km), a BT recebe a comunicação de uma colisão frontal junto Barragem do Fratel. Um casal residente em Tolosa, Nisa, e um jovem de 30 anos, de Castelo Branco, foram as vítimas mortais.
Cinco minutos depois, na zona da Carrasqueira, entre o Fogueteiro e o Seixal, o despiste de um carro na Estrada Nacional 378 provocou a morte ao condutor do veículo.
Mas os dezassete minutos ainda não tinham terminado e, às 14h30, junto ao campo de tiro de Alcochete, onde se cruzam as estradas nacionais 118 e 119, uma colisão entre dois veículos matou mais duas pessoas e fez quatro feridos ligeiros, além de condicionar o trânsito durante mais de uma hora.
Dez minutos depois das 15h00, novo acidente, desta vez na zona do Montijo, faz subir a contabilidade. Uma colisão entre dois veículos, na Estrada Nacional 5, causou três feridos em estado grave.
“São acidentes com muitas vítimas e que, infelizmente, continuam a suceder”, lamentou Capitão Carlos Costa, oficial de dia da BT. “Depois desta série de ocorrências, os números aproximaram-se dos registados no ano passado”, referiu.
De acordo com a BT, entre as 00h00 e as 18h30 de ontem, segundo dia da Operação Páscoa, os acidentes nas estradas portuguesas provocaram sete mortos e cinco feridos em estado considerado grave. No ano passado, nos cinco dias da Operação Páscoa, vinte pessoas perderam a vida – seis delas ao terceiro dia.
REGRESSO A PARTIR DE AMANHÃ
O regresso das miniférias da Páscoa de muitos portugueses deverá começar já amanhã. De acordo com a Brigada de Trânsito da GNR, é esperado um movimento mais intenso de tráfego no domingo e na segunda-feira, “quando as pessoas começarem a regressar a casa”, adiantou fonte da BT.
A Operação Páscoa 2005, que começou às 00h00 de dia 24, termina às 24h00 de segunda-feira, coincidindo, desta forma, com o que a GNR considera o período mais intenso de trânsito.
Os primeiros e os últimos dias das épocas festivas são, em regra, considerados dias críticos pelas autoridades. Sucede assim no Natal e Ano Novo e também na Páscoa, já que a presença de milhares de veículos nas estradas, em especial nos principais eixos rodoviários, auto-estradas e itinerários, é susceptível de fazer subir os números da sinistralidade. Tal como sucede sempre, os militares da BT aconselham os condutores a adequarem a respectiva condução ao estado dos veículos e das estradas em que circulam.
REGRAS DO CÓDIGO JÁ VALEM HOJE
A partir de hoje, as multas passam a ser pagas no momento da infracção, embora o condutor, se não o quiser fazer, possa deixar um depósito de valor igual ao mínimo da coima prevista. Fica com a carta retida caso não possa mesmo pagar e é-lhe passada uma guia válida por 15 dias.
Não respeitar sinais de paragem: contra-ordenação muito grave, multa de 500 a 2500 euros.
Não circular pela faixa da direita: contra-ordenação grave (muito grave na auto-estrada), multa de 120 a 600 euros.
Ultrapassar risco contínuo: contra-ordenação muito grave, multa entre 49,88 e 249,40 euros.
Parar ou estacionar em passadeiras de peões: contra-ordenação grave, multa entre 60 e 300 euros.
Transportar crianças sem uso de acessórios obrigatórios: contra-ordenação grave, multa entre 120 e 600 euros por criança.
Não usar luzes de perigo quando obrigatório: contra-ordenação grave (muito grave se for cometida em auto-estrada), multa entre 60 e 300 euros.
Atirar objectos pela janela: multa entre 60 e 300 euros.
Falar ao telemóvel a conduzir sem usar acessórios, como auriculares ou sistema alta-voz: contra-ordenação grave, multa entre 120 e 600 euros.
Abandonar local de acidente com mortos ou feridos: contra-ordenação muito grave, multa entre 500 e 2500 euros.
Circular sem seguro : contra-ordenação grave (responsabilidade do proprietário), multa entre 250 e 2500 euros.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)