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Correio da Manhã

Portugal
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Sargento roubava em serviço

As queixas por casas roubadas vão caindo na GNR de Alenquer e o Núcleo de Investigação Criminal (NIC), sempre através da equipa de piquete no posto, responde às chamadas. É suposto irem "dois militares ao local", adianta ao CM fonte policial, mas "há falta de pessoal e por vezes só vai um". Era o caso do próprio comandante, mas que depois de ordenar aos proprietários das casas para saírem, a pretexto de selar o local do crime, também aproveitaria para desviar bens.

9 de Junho de 2008 às 00:30
Chefe do NIC foi apanhado pelos próprios colegas
Chefe do NIC foi apanhado pelos próprios colegas FOTO: António Rilo

Só que os casos iam-se acumulando e já eram muitas as vítimas que, mais tarde, "davam pela falta de bens: não tinham sido levados nos assaltos mas tinham desaparecido depois da inspecção policial". Em comum, o primeiro militar que chegara ao local – o 1º sargento da GNR, que era ao mesmo tempo comandante do NIC de Alenquer.

Com cerca de 35 anos e uma carreira "aparentemente exemplar", o militar nunca antes levantara suspeitas. Mas "já eram muitas coincidências" e, para desfazer todas as dúvidas, foi planeada ao mais alto nível uma armadilha para o 1º sargento. Há cerca de um mês respondeu a mais uma chamada por furto em residência e avançou sozinho para o local. Manteve o procedimento de sempre – com os donos da casa na rua para poder selar a área e recolher os vestígios de assaltantes – só que lá dentro, escondido, já estava o comandante do Destacamento da GNR de Alenquer.

O assalto era afinal encenado e "não foi preciso esperar muito" até que o sargento cedeu à tentação de desviar bens. "Sempre pensou que as vítimas, no meio da desorientação de um assalto, quando a GNR lá fosse ainda não soubessem muito bem o que tinha sido levado pelos ladrões." Mas enganou-se com alguns casos e, montada uma armadilha, foi apanhado em flagrante pela chefia.

A desculpa era boa: "A área deve ser preservada até à chegada de uma equipa de recolha de impressões digitais." Até lá, o sargento ficava sozinho dentro das casas e não resistia. "Por pouca coisa: telemóveis, jogos..."

PORMENORES

ALÇADA MILITAR

O 1.º sargento está sujeito ao inquérito aberto pelo Ministério Público e ainda debaixo da alçada da disciplina militar. Até à conclusão do processo, o CM sabe que foi transferido para a Brigada Territorial n.º 2, na Calçada do Combro, Lisboa.

ENTREGUE À BUROCRACIA

O ex-comandante do Núcleo de Investigação Criminal de Alenquer está agora na secção de logística da Brigada n.º 2, com funções burocráticas. Caso o Ministério Público deduza acusação e sejam provadas as suspeitas, arrisca uma condenação civil e ainda a expulsão da GNR por via do processo disciplinar interno.

CARREIRA DE SUCESSO

Com cerca de 35 anos, o 1.º sargento está há mais de dez anos na GNR. Chefiava o Núcleo de Investigação Criminal (NIC) com bom desempenho. O NIC do Destacamento de Alenquer tem elevada taxa de conclusão de inquéritos, com muitas detenções e apreensões de droga.

 

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