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Correio da Manhã

Portugal
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SAÚDE DOS PRESOS CUSTA 30 MILHÕES

Tratar a saúde dos reclusos custa hoje à Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP) cinco vezes mais que há quatro anos, passando de 6 para 30 milhões de euros. Sendo a população prisional de 14 mil indivíduos, significa que cada recluso custa, em média, 2142 euros por ano.
27 de Fevereiro de 2003 às 00:00
No caso dos seropositivos, cerca de 1960, os gastos nas terapêuticas (anti-retrovirais) contra o vírus da sida rondam os 12 mil euros por ano cada um. Isto sem incluir os tratamentos de doenças associadas. São, de resto, os infectados com o VIH que levam a maior “fatia” nos gastos da saúde.

“Os gastos na saúde aumentaram (cinco vezes em quatro anos) porque há um maior recurso aos meios de diagnóstico, há mais reclusos a fazer exames médicos, mais gastos em medicamentos, despende-se mais dinheiro na contratação de médicos e enfermeiros e, em especial, aumentou o número de tratamentos com os anti-retrovirais para os reclusos seropositivos e estes são medicamentos muito caros”, explicou ao CM a directora dos serviços de saúde da DGSP, Graça Poças.

O número de presos infectados com o VIH estima-se em 1.960 (14% de 14.000 indivíduos), mas destes 1.050 estão a tomar anti-retrovirais, custando o tratamento individual 1.000 euros por mês.

As análises para controlar a carga viral são feitas em média de três em três meses e custam à DGSP 510 euros por ano. O número de infectados com o vírus da hepatite C (mais de 20%) ultrapassa os 2800, além dos que têm hepatite B e tuberculose.

Do hospital-prisão saem anti-retrovirais que ascendem a 3 120 053 euros por ano, sendo daí distribuídos para as várias cadeias do País, mas não chega a suprir as necessidades.

“A saúde dos reclusos é muito precária e há graves problemas a nível dentário e de saúde mental”, diz.
Comentando os contágios nos homens e mulheres em reclusão, Graça Poças aponta o “contexto de risco em que estão, em que a privação de liberdade agudiza o mal-estar físico e mental.”

PREVENTIVOS CHEGAM AOS 4200

14 MIL PRESOS

São 14 000 o número de reclusos nas cadeias, 30% dos quais são preventivos (4200). Esse número oscila: 14 400 em 1997, 14 600 em 98, 12 800 em 99, ano de amnistia, 12 800 em 2000, 13 100 em 2001 e 14 000 em 2002. Um milhar de presos participa em programas de metadona e de antagonistas, para tratar a toxicodependência.

CONTÁGIO: 56

A taxa de eventual contágio é de 0,4%, que equivale a 56 o número de reclusos que adquiriu no interior do estabelecimento prisional uma doença. A DGSP gastou na saúde dos reclusos 6 milhões de euros em 1998, 10 milhões em 99 e 29,6 milhões de euros em 2001. Os dados de 2000 e 2002 não estavam disponíveis.

CAMAS

O hospital-prisão de Caxias, em Oeiras, tem 30 médicos e 146 camas. Uma enfermaria é destinada às mulheres, com 9 camas. A nível nacional, os serviços prisionais contam com 46 médicos no quadro, 80 médicos em regime de avença, 82 enfermeiros no quadro e 107 contratados.
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