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Correio da Manhã

Portugal
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Se fez algo de mal é porque foi obrigada

Parece que um furacão entrou nesta casa. Não consigo acreditar nisto.” A frase, dita com mágoa, é de Alberto Graça, 44 anos, companheiro da espanhola que anteontem foi detida pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) na capital algarvia. Sobre a mulher, de 35 anos, pendia um mandado de captura internacional depois de ter sido julgada e condenada em Espanha, tal como o ex-companheiro, a uma pena de 17 anos de prisão pelos crimes de maus tratos e abuso sexual de menores.
28 de Abril de 2007 às 00:00
Alberto Graça acredita que Isabel está inocente. Não lhe falou em crimes e está preocupada com a filha
Alberto Graça acredita que Isabel está inocente. Não lhe falou em crimes e está preocupada com a filha FOTO: Sandra Sousa Santos
Alberto conheceu aquela que considera sua mulher, Isabel Ortez, há sete anos, quando ambos dormiam na rua, em Faro. “Ela vivia com esse espanhol detido há um mês, que a tratava muito mal”, testemunha o funcionário do cemitério de Faro, garantindo que a mulher nunca lhe falou em crimes: “Se fez alguma coisa de mal acredito que tenha sido obrigada por ele.” A mulher com quem vive há cinco anos e de quem tem uma filha de dois anos e meio é “boa mãe e esposa. Toda a gente que a conhece fala bem dela”, diz Alberto Graça, em choque com a detenção. Já aconselhou a companheira a “dizer toda a verdade”: “Ela deve ter sido obrigada a fazer o que não queria.”
“A minha filha tem perguntado pela mãe, mas está bem comigo. Vai ficar num infantário durante o dia”, diz Alberto, enquanto dá a sopa a Rosa, entre brincadeiras, para que a menina não se aperceba das recentes alterações familiares.
ESPERA EXTRADIÇÃO EM ODEMIRA
Presente ontem ao Tribunal da Relação de Évora – entidade competente para analisar casos que envolvem mandados de detenção internacionais – Isabel Ortez fica no Estabelecimento Prisional de Odemira a aguardar extradição para Espanha, onde deverá cumprir a pena a que foi condenada. Foi detida anteontem à porta de casa, na zona de Alto Rodes, depois de o seu ex-companheiro, espanhol, ter sido detectado por acaso pelo SEF numa acção de fiscalização a situações de indigência na cidade. Foi assim, e depois de contactarem as autoridades espanholas, que chegaram à identificação da mulher, referenciada no mesmo processo que envolve o espanhol.
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