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Correio da Manhã

Portugal
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“Se fosse em Lisboa seria uma desgraça”

Maria Ana Baptista, Especialista em tsunamis do Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa sobre o sismo no Japão.
12 de Março de 2011 às 00:30
SISMO, JAPÃO, TSUNAMI, PORTUGAL, ALERTA
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Correio da Manhã – É possível comparar o sismo do Japão com o de Lisboa em 1755?

Maria Ana Baptista – São comparáveis, pois têm magnitudes semelhantes. Além disso, as distâncias do primeiro ponto de costa para o epicentro são parecidas, cerca de 130 quilómetros. Também as capitais, Lisboa e Tóquio, estão à mesma distância do epicentro: cerca de 370 quilómetros.

– Qual seria a dimensão dos estragos se ocorresse um sismo e um tsunami em Portugal?

– Se fosse em Lisboa, não tenho dúvidas de que seria uma desgraça. Primeiro porque a nossa construção não tem a mesma qualidade da do Japão. Depois, há outro factor muito importante: a população portuguesa não está educada para a forma como deve proceder em situações semelhantes. Percebeu-se que aquelas pessoas, no Japão, sabiam o que fazer. Procuraram proteger-se nas partes mais altas dos edifícios.

– A onda provocada por um tsunami ia invadir a nossa costa até que zonas?

– Lisboa, após o terramoto de 1755, foi reconstruída dois metros acima do nível do mar para evitar complicações. No máximo, teríamos o Terreiro do Paço inundado. Mas o pior seria a costa algarvia e as zonas da Trafaria e Oeiras.

– Portugal tem capacidade para detectar estes sismos?

– O Instituto de Meteorologia tem a capacidade tecnológica para determinar a magnitude, a localização e profundidade de um sismo em cinco minutos. Até à chegada do tsunami ao primeiro ponto de costa decorrem cerca de 15 minutos. Neste período, a população tem de saber como reagir.

– Mas continuamos sem o sistema de alerta de tsunamis...

– Falta a vontade política para que o Instituto de Meteorologia passe a ter nos seus estatutos a obrigação de detectar e alertar a Protecção Civil.

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