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Correio da Manhã

Portugal
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Seabra abusado por vizinho aos 8 anos

Renato Seabra foi abusado sexualmente aos oito anos por um vizinho. A revelação foi feita por um psicólogo contratado pela defesa, que na sessão de ontem no Supremo Tribunal de Nova Iorque relatou as declarações do modelo feitas há dois meses, já na prisão de Riker Island – considerada de alta segurança. Antes, o psicólogo Jeffrey Singer, o primeiro a ouvir Renato no hospital, revelou que este pode "ter bebido o sangue" do cronista após a sua morte.
20 de Outubro de 2012 às 01:00
Renato Seabra, 22 anos, está a ser julgado pelo homicídio de Carlos Castro, em Nova Iorque
Renato Seabra, 22 anos, está a ser julgado pelo homicídio de Carlos Castro, em Nova Iorque FOTO: Ricardo Durães/Lusa

O psicólogo contratado pela defesa contou que nas conversas que manteve com o jovem de 22 anos este lhe contara que durante dois anos – dos 16 aos 18 – manteve relações sexuais com primos, mesmo depois de já se ter relacionado com raparigas.

Renato recordara-lhe ainda a sua história com o cronista. Afirmou claramente que se tratou de uma relação "de puro interesse", mas que escondeu o facto de Carlos. Foi este que o procurou, logo após o final de um concurso de moda em que Renato participou e que o convidou a ir à apresentação do seu livro num hotel do Porto – onde foi levado pela mãe e pela avó. Já sozinho com o cronista, o jovem relatou que este "o beijou" e que estranhara a sua reacção. Ali, o suspeito pensara: "Não vou dizer nada, porque é a minha chance de chegar mais longe no mundo da moda".

Semanas depois tiveram a primeira relação sexual. Renato contou também que se lembra de ter espancado "o demónio" de Carlos Castro, quando ele ainda respirava.

"CONVIDAVA ENFERMEIRAS E GUARDAS PARA A SUA CAMA"

"Arrastava-se pelos corredores do [hospital psiquiátrico] Bellevue totalmente nu. Dizia ser Jesus e elogiava os seus próprios lábios. E convidava guardas e enfermeiras para a sua cama". Foi desta forma que um psiquiatra descreveu em tribunal o comportamento de Renato Seabra nos dias a seguir ao homicídio de Carlos Castro. De acordo com Jeffrey Singer, Renato "estava consistentemente maníaco, delirante e em estado psicótico nos dias que se seguiram ao crime". "A dada altura, começou a cantar e a sorrir de forma inapropriada – e a falar sobre os seus lábios e como eram bonitos". O depoimento do médico veio sustentar a tese de insanidade alegada pela equipa que defende o modelo português.

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