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Correio da Manhã

Portugal
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SEF fez milhares de escutas telefónicas

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) efectuou cerca de 20 mil intercepções telefónicas e mais de 50 buscas no decurso da investigação do caso da alegada rede de auxílio à imigração ilegal, cujo julgamento decorre em Lagos. Chegaram também a ser recolhidos testemunhos na Embaixada de Portugal na Roménia, onde eram emitidos os vistos a cidadãos moldavos e romenos.
26 de Setembro de 2007 às 00:00
Na segunda sessão do Julgamento foram ouvidos dois inspectores do SEF envolvidos na investigação
Na segunda sessão do Julgamento foram ouvidos dois inspectores do SEF envolvidos na investigação FOTO: José Carlos Campos
Na segunda sessão do megajulgamento, o inspector-adjunto que coordenou a investigação revelou que a presumível líder da rede, Galina Volontir, “falava quase dia e noite” ao telefone. As escutas ter-se-ão revelado muito importantes para os investigadores estabelecerem as ligações entre os vários membros da alegada rede, que teria um nível de organização tão grande que “todos sabiam o que tinham a fazer”.
Os inspectores do SEF chegaram a deslocar-se à Roménia para obter o testemunho de imigrantes que terão recorrido à rede para tentar entrar em Portugal e de funcionários da embaixada. Segundo o SEF, um dos funcionários confirmou ter sido sujeito “a pressões” e “a tentativa de corrupção”.
Quando a referida embaixada, no início de 2006 e por ordem do Ministério dos Negócios Estrangeiros, decidiu suspender a atribuição de visto, alguns empresários portugueses que são arguidos no processo – e que ganhariam, segundo a acusação, 200 a 600 euros com cada imigrante – terão elaborado cartas a solicitar que fosse desbloqueada a situação.
UCRÂNIA SERIA O PRÓXIMO ALVO
Na sessão de ontem do megajulgamento da alegada rede foram ouvidos dois inspectores do SEF envolvidos na investigação. Foi revelado que a alegada organização se prepararia para montar um esquema semelhante ao que tinha na Moldávia e na Roménia num outro país de Leste: a Ucrânia. Foram ainda referidas “ameaças de morte” a cidadãos estrangeiros que se recusaram a pagar, após a suspensão da atribuição de vistos pela Embaixada na Roménia.
O processo em julgamento em Lagos é muito extenso, contando com 155 volumes e mais de uma centena de apensos. Serão ainda ouvidas, por videoconferência, seis testemunhas protegidas. Cada imigrante pagaria 2 a 3 mil euros.
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