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Correio da Manhã

Portugal

SEGURANÇAS NAS MATAS

A Prosegur vai propor ao Ministério da Administração Interna (MAI) que passe a vigilância de algumas manchas florestais para empresas privadas de segurança, valendo-se dos seus vigilantes e infra-estruturas espalhadas por todo o País. A empresa quer ainda expandir-se para os aeroportos, transportes públicos, estádios de futebol e segurança de individualidades.
3 de Janeiro de 2004 às 00:00
Jorge Leitão, da Prosegur, quer seguranças privados nas florestas
Jorge Leitão, da Prosegur, quer seguranças privados nas florestas FOTO: Manuel Moreira
Segundo explicou ao CM Jorge Leitão, administrador delegado da Prosegur em Portugal, a disponibilidade da empresa para contratos no âmbito da vigilância e detecção de incêndios florestais será formalizada em breve junto do Governo. "Temos condições especiais para o trabalho, nomeadamente meios humanos (quatro mil vigilantes) e infra-estruturas com dimensão nacional. Essa vigilância nas florestas seria feita antes e durante o Verão", referiu.
Jorge Leitão adiantou ainda que os seguranças/vigilantes destacados para essas funções poderiam, uma vez detectado um incêndio florestal, actuar como primeira intervenção. "Isso já acontece com al- gumas empresas multinacionais no ramo do papel e celulose", acrescentou. "Começa já a ser altura de preparar o próximo Verão. Iremos, para já, propor ao MAI uma experiência-piloto num distrito do Centro do País", adiantou o responsável.
Recorde-se que o ano passado foi particularmente devastador em termos de incêndios florestais. De 1 de Janeiro a 31 de Outubro, o Ministério da Agricultura tinha contabilizados 423 949 hectares ardidos. Ocorreram quase 20 mil fogos e fogachos, de que resultaram duas dezenas de mortos.
BILHETES E RAIO X
Quanto à área dos transportes públicos, a Prosegur diz já ter "uma grande experiência" nas linhas de metropolitano e comboios de Madrid e Barcelona e que a está a apresentar à CP e Metro de Lisboa. "Poderá ser uma nova área. Nesta altura já fazemos a vigilância no Metro do Porto, com bons resultados", explicou Jorge Leitão.
Na opinião do responsável, a intervenção de seguranças privados poderá ainda ser alargada, com mais funções do que as actuais, aos aeroportos. "Há tarefas desempenhadas pela PSP que podem perfeitamente ser realizadas por seguranças credíveis e devidamente formados. Numa altura em que se fala da falta de agentes policiais na rua esta era uma boa forma de disponibilizar efectivos", explicou. Essas tarefas passariam por trabalhos administrativos, como o controlo dos passageiros e bilhetes à entrada das áreas de embarque e, até, nas revistas por raio x de bagagens.
Quanto aos estádios de futebol, a Prosegur já garante o serviço de Assistentes de Recinto Desportivo (ARD) - os 'stewards' - no Estádio da Luz e é sua intenção, segundo Jorge Leitão, garantir mais "um ou dois estádios" até ao Euro'2004. "Verifico que nem todas as entidades contratantes se preocupam com a qualidade do serviço, apenas com o preço. Há que garantir que os ARD estejam devidamente formados", desabafou Jorge Leitão.
Neste particular, a função dos seguranças "não é ser polícias", mas apenas orientar as pessoas nas entradas e no interior do estádio. "A Lei é clara. Em caso de desacatos, os ARD não podem intervir, têm que chamar a PSP ou a GNR", acrescentou.
GUARDA-COSTAS
Também para o Euro'2004, a Prosegur afiança já ter contratos com algumas individualidades (quadros superiores de empresas multinacionais que vêm ao País assistir a jogos de futebol) para a sua protecção pessoal.
"Temos uma equipa de Acompanhamento e Defesa Pessoal (ADP) devidamente credenciada pelo MAI. São indivíduos da maior confiança que receberam formação específica em áreas como autodefesa, tiro, condução e, até, primeiros socorros", referiu Jorge Leitão.
MAIS DADOS
SECTOR
Portugal tem cerca de 90 empresas de segurança. As maiores, meia centena, empregam 20 mil pessoas.
ALARMES
Portugal tem cerca de 100 mil alarmes em casas e pequenas e médias empresas.
CENTRAL
No caso da Prosegur, os alarmes estão ligados a uma central por via analógica ou GSM. Qualquer problema é logo detectado e as autoridades avisadas.
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