Seis mil polícias vão guardar Bento XVI

São cerca de seis mil os efectivos da PSP destacados para a segurança de Bento XVI em Portugal. Os comandos de Lisboa e Porto vão ceder perto de cinco mil polícias, enquanto da Unidade Especial de Polícia (UEP) virão mil operacionais, incluindo atiradores especiais (snipers).
25.04.10
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Seis mil polícias vão guardar Bento XVI
Trajectos feitos por Bento XVI no Papamóvel serão acompanhados por dois cordões de segurança da PSP Foto Max Rossi/Reuters

O esquema de policiamento, preparado há meses, deve ser apresentado esta semana pela PSP. Nos comandos de Lisboa e Porto não vai haver folgas durante os quatro dias de visita e todas as Equipas de Intervenção Rápida estão obrigadas a trabalhar.

O CM sabe que, para reforçar o efectivo, será interrompido um curso de formação de subchefes, com os 200 alunos a serem colocados em esquadras de Lisboa e Porto. Além disso, 200 agentes com funções burocráticas vão ser colocados nas ruas da capital.

A chegada do Papa ao Aeroporto da Portela está marcada para as 11h00 de 11 de Maio, devendo o Papa permanecer na capital até às 16h30 do dia seguinte. A PSP do aeroporto será a primeira unidade a intervir, prevendo--se que logo nesse local haja snipers.

Perto de 3500 elementos do comando de Lisboa acompanharão os passos de Bento XVI na capital, estando previsto que, à chegada ao Porto, o Papa tenha 1500 polícias a aguardá-lo. O efectivo empenhado é fixo, mas a sua disposição poderá ser alterada em face do nível de ameaça aferido pelos operacionais dos Serviços de Informações e Segurança.

APONTAMENTOS

DESCULPAS

A visita do Papa ao Reino Unido pode ser cancelada, após a divulgação pela imprensa de um documento oficial a sugerir que Bento XVI criasse a sua marca de preservativos. O Governo britânico já pediu desculpas ao Vaticano.

GNR ASSEGURA FÁTIMA

O capitão Duarte da Graça, responsável pela GNR em Fátima, já disse que o esquema de segurança montado para a visita de Bento XVI será semelhante ao das peregrinações.

UNIDADE ESPECIAL EM FORÇA

À Unidade Especial da PSP (UEP) será pedido empenho total durante a visita de Bento XVI a Portugal. Com um efectivo a rondar os dois mil homens, estima-se que a UEP mantenha em prontidão perto de metade desse efectivo. Em Lisboa, o Papa terá três grandes momentos de exposição pública. A missa no Terreiro do Paço, a estadia na Nunciatura Apostólica e uma cerimónia no Centro Cultural de Belém obrigarão a esforço redobrado das 1ª, 3ª, e 4ª Divisões do Comando da capital. À civil, agentes do Grupo de Operações Especiais e do Corpo de Segurança Pessoal procurarão ameaças. Nos percursos efectuados em Papamóvel, Bento XVI será enquadrado por dois cordões de segurança feitos por estes agentes. No interior da viatura, o Papa conta com segurança pessoal. Elemento fundamental será os atiradores furtivos (snipers). Logo à chegada de Bento XVI a Lisboa estarão presentes, garantindo a PSP a sua manutenção durante os principais percursos públicos do Papa.

IGREJA CRITICA CORTES NO APOIO AOS MAIS POBRES

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, defendeu, em entrevista à Lusa, que, apesar do défice das contas públicas, 'não é oportuno' cortar nas prestações sociais, 'particularmente as mais baixas'. Contudo, o também arcebispo de Braga admitiu que sejam repensados procedimentos, 'não permitindo alguns oportunismos que podem estar a acontecer'. D. Jorge Ortiga alertou para a pobreza escondida e defendeu que o combate a situações como essas é prioridade da igreja. O arcebispo espera que a visita do Papa incentive a igreja a dar 'respostas mais adequadas aos desafios dos tempos que correm'.

DISCURSO DIRECTO

"HÁ RISCO DE ACÇÕES INDIVIDUAIS EXALTADAS", José Manuel Anes, Presidente do OSCOT

Correio da Manhã – Porque considera a visita do Papa Bento XVI a Portugal menos perigosa que a cimeira da NATO (a realizar em Novembro de 2010)?

José Manuel Anes – A visita do Papa Bento XVI não tem associada, à partida, riscos de terrorismo islamista ou de outro tipo. O mesmo já não acontece com a realização da cimeira da NATO em Lisboa, isto em virtude das intervenções militares desta organização em vários pontos do mundo.

– Quais são, então, os riscos associados à peregrinação do Papa?

– O risco associado a esta visita está, na minha opinião, em acções individualizadas de exaltados. As barreiras de segurança podem ser furadas, veja-se o que aconteceu com João Paulo II, em Fátima, em 1982, quando sofreu um atentado de um padre.

- Há protestos agendados relativamente à presença de Bento XVI em Portugal. A segurança está a ser pensada tendo em conta também isso?

– O perigo, nesse cenário, prende--se principalmente com eventuais reacções adversas de apoiantes do Papa Bento XVI. Isso poderá ser adverso para as forças de segurança.

– E existe preparação, por parte das nossas polícias, para lidar com situações desse tipo?

– Creio que sim. Tanto a PSP, como a GNR têm pessoal especializado na segurança pessoal a individualidades. Aliado ao planeamento feito desde há meses, penso que isso dará garantias de segurança.

– Qual o papel das informações no planeamento desta operação de segurança?

– O trabalho dos Serviços de Informações e Segurança (SIS), bem como dos próprios núcleos de informação das forças de segurança, é de facto imprescindível no planeamento. E até durante a própria visita, já que o SIS manterá com certeza agentes à civil nas ruas, para avaliar ameaças e passar indicações às polícias.

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