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Correio da Manhã

Portugal
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SEIS TIROS NA PORTA DO KREMLIN

Um grupo de três indivíduos actuando encapuzados disparou anteontem seis tiros de pistola contra a porta da discoteca 'Kremlin', em Lisboa, colocando-se depois em fuga. Este ataque ocorre dois anos depois de um segurança do estabelecimento ter sido morto e outros três e um cliente ficado feridos, em circunstâncias parecidas.
3 de Junho de 2003 às 00:00
Os tiros contra a porta do Kremlin foram disparados do topo de umas escadas laterais à discoteca
Os tiros contra a porta do Kremlin foram disparados do topo de umas escadas laterais à discoteca FOTO: Manuel Moreira
A atribulada cena passou-se quando faltavam poucos minutos para as 07h00 de domingo. Numa altura em que a discoteca 'Kremlin' já tinha pouco movimento, três indivíduos, negros, aparentando todos pouco mais de 20 anos, chegaram ao estabelecimento das Escadinhas da Praia, junto da Avenida 24 de Julho, e solicitaram a entrada.
Os seguranças de serviço na discoteca optaram por recusar o pedido de entrada dos três indivíduos devido a alegadamente, segundo o CM apurou junto de várias fontes no local, os mesmos não serem clientes conhecidos da casa.
No entanto, os sujeitos não aceitaram de bom grado a reacção dos seguranças, demonstrando-o sem hesitações. "Eles saíram do local, mas deixaram bem vincado que haveriam de voltar e que a reacção não seria nada agradável", referiu ao nosso jornal uma testemunha dos acontecimentos, que, por razões de segurança, preferiu manter o anonimato.
E, de facto, a promessa acabaria por ser consumada. Depois de abandonar o local, a pé, o grupo voltou poucos minutos depois, desta vez na posse de uma pistola, de calibre 7,65 mm e com as caras cobertas por gorros.
Precavidos para uma mais que eventual reacção negativa dos indivíduos, os seguranças de serviço na discoteca foram lestos em fechar a porta.
Tal acabou por não constituir obstáculo para os agressores que, a partir do topo de umas escadas laterais à discoteca 'Kremlin', na Calçada Ribeiro dos Santos, dispararam por seis vezes contra a porta do estabelecimento, fugindo em seguida para parte incerta.
A PSP foi de imediato alertada, mas, após tomar conta da ocorrência, passou as investigações para a Polícia Judiciária. Inspectores desta força policial tomaram posse da cassete da videovigilância da discoteca que, soube o nosso jornal, poderá conter descrições dos agressores.
Fonte da administração da discoteca reconheceu a ocorrência mas negou, no entanto, "qualquer responsabilidade do estabelecimento na mesma".
MADRUGADA ACABOU EM MORTE
O princípio da manhã de anteontem, nas imediações da discoteca 'Kremlin', em Lisboa, foi uma fotocópia quase fiel do dia 17 de Março de 2001, quando a calma que imperava no estabelecimento acabou posta em causa pela chegada intempestiva de um grupo de quatro indivíduos que, a todo o custo, exigiu a entrada.
Perante a recusa dos seguranças, os sujeitos regressaram ao carro em que se deslocaram até à discoteca, um Renault Clio Williams azul, de onde retiraram diversas armas. O que se passou a seguir foi difícil de explicar, com uma autêntica chuva de tiros a abater-se sobre a porta de entrada do estabelecimento.
Os danos acabaram por ser trágicos. Sérgio Reis, um segurança da discoteca, de 26 anos, foi atingido mortalmente. Três outros seguranças e um cliente foram também atingidos, necessitando por isso de receber assistência hospitalar. Alguns dias mais tarde, a PJ conseguia deter João Vaz e Bruno Araújo. Julgados em Junho de 2002, os dois indivíduos foram condenados a 25 anos de cadeia, a pena máxima em Portugal. Mais tarde, eram detidos os primos Bruno e Paulo Merinório, que vão, em breve, ser julgados em Lisboa.
CENAS DE VIOLÊNCIA
CASO 'LUANDA'
Seis da manhã de 16 de Abril de 2000. A pista de dança da Discoteca ‘Luanda’, em Lisboa, é palco de uma autêntica cena de terror. Depois de cortarem o sistema eléctrico, desconhecidos atiram duas garrafas de gás pimenta para o interior do estabelecimento, lançando o pânico. No final, sete pessoas acabaram por morrer.
CLIENTE MORTO
O final da madrugada de 25 de Julho de 1998 adivinhava-se calmo para José Pires. Com amigos, o cabo-verdiano deslocou-se à discoteca ‘Plateau’, em Lisboa, para se divertir. No entanto, acabaria morto no exterior, depois de um segurança lhe dar um pontapé na cabeça.
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