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Correio da Manhã

Portugal
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“Sem extinguir o lucro não eliminamos o delito”, diz secretário-geral do Eixo Atlântico

Xoán Vázquez Mao defende unidade coordenadora de emergência entre Portugal e Espanha.
Manuel Jorge Bento 20 de Novembro de 2017 às 08:41
Xoán Vázquez Mao
Xoán Vázquez Mao FOTO: Direitos Reservados
Os incêndios que espalharam a morte pelo Centro de Portugal e pela Galiza levam Xoán Vázquez Mao a listar, de forma clara, o que cada país deve fazer na prevenção e combate ao fogo. O secretário-geral do Eixo Atlântico diz que só no próximo ano será possível avaliar se as medidas que estão a ser lançadas em Portugal e Espanha funcionam de facto ou se não passam de propaganda.

CM – As medidas lançadas depois dos incêndios mortais deste ano são suficientes?
Xoán Vázquez Mao – Os governos estão a falar disso. Veremos, no próximo ano, se as medidas são implementadas e se funcionam. Não tenho a certeza que seja apenas propaganda política. Cada vez que há incêndios, surgem medidas, mas depois, muitas vezes, não se cumprem.

- Que medidas devem ser implementadas?
– A primeira a fazer é eliminar o elemento de lucro dos incêndios, que existem com as madeiras e o urbanismo. E que quem tire proveito do fogo pague uma pena de tal calibre que nunca mais levante a cabeça. Se não acabarmos com o lucro, não acabamos com o delito. Depois, há empresas suspeitas de lucrarem com o fogo. E a privatização da luta contra os incêndios é um risco não assumível.

- E o Eixo Atlântico lançou recentemente uma proposta...
– Nos territórios de fronteira, lógico, queremos uma unidade coordenadora de emergências, entre Portugal e Espanha, que possa mandar nos meios de socorro. É um caso de cooperação europeia. Por que razão não havia bombeiros galegos a ajudar no combate aos fogos em Portugal? Se tivesse havido, nas zonas fronteiriças, se calhar o fogo não chegaria à Galiza...

- Os bombeiros necessitam também de mais meios?
– Regra geral, os bombeiros, muitos voluntários, não estão devidamente preparados para combater o fogo nos montes. Mandá-los para o monte é mandá-los à morte. Por isso, deve ser defendida a profissionalização dos operacionais.

- Medidas concretizáveis?
– São medidas de bom senso e executáveis. Dar dinheiro às famílias das vítimas é crucial, mas não é combater fogos .

Perfil
Xoán Vázquez Mao é uma das vozes do Litoral Norte da Península Ibérica. Assumiu o cargo de secretário-geral do Eixo Atlântico, entidade que reúne 38 concelhos do Norte de Portugal e Galiza (Espanha), presidida pelo galego Alfredo García e com Luísa Salgueiro, autarca de Matosinhos, na vice-presidência.  Em 2010, acusou o Governo português [de José Sócrates] de ser autista no caso da cobrança de portagens nas SCUT.
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