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Correio da Manhã

Portugal

Sem reabilitação

Fotografar era o grande hóbbi de Bruno Paulino. Gostava de fazer desporto com os amigos e nunca foi um jovem de ficar parado. Mas, numa manhã de Junho de 2005, sofreu um violento acidente e ficou tetraplégico.
16 de Abril de 2008 às 00:30
Bruno precisa de uma máquina para respirar e passa os dias em casa
Bruno precisa de uma máquina para respirar e passa os dias em casa FOTO: Rui Pando Gomes

O jovem de 25 anos sobrevive ligado a uma máquina (pacemaker diafragmático) que o ajuda a respirar. Está em casa, em Faro, deitado numa cama, e a família desespera na tentativa de lhe oferecer uma vida melhor. O renovado Centro de Medicina Física e de Reabilitação de São Brás de Alportel não tem condições para o receber, porque Bruno está ventilado 24 horas por dia.

"Ele teve de sair do ambiente dos hospitais para não apanhar infecções. Veio para casa e agora precisa de ajuda e estimulação para ter alguma qualidade de vida. Mas ninguém o pode receber porque é um doente ventilado", lamenta ao CM a mãe, Maria José Paulino, enquanto olha para as fotografias do filho antes do acidente. "Este é o meu filho, alegre e cheio de vida, não é deitado numa cama", recorda, em lágrimas.

Maria José, com a ajuda de duas enfermeiras do Hospital de Faro, tenta ao máximo melhorar os dias de Bruno. "Às vezes levamo-lo até à varanda, para ele poder ver coisas diferentes e não ficar sempre a olhar para o tecto, mas isso não chega. Ele precisa de ajuda especializada para poder viver melhor", pede a progenitora, que nos últimos três anos não faz outra coisa se não cuidar do filho.

A única esperança era a nova unidade de reabilitação de São Brás de Alportel, mas esta não está preparada para o receber. "Não temos condições para o Bruno, porque a unidade não foi pensada para receber doentes com ventilação permanente", assumiu ao CM a directora da unidade Margarida Sizenando.

Apesar das contrariedades, esta responsável garante que pode ser encontrada uma solução. "Podemos pensar numa forma de ocupação, mas é preciso existir alguém que esteja sempre com o Bruno e saiba lidar com o aparelho que o ajuda a viver", refere Margarida Sizenando, que aconselha a família a fazer um pedido à Administração Regional de Saúde, para que programe uma visita domiciliária ao doente

Quanto à falta de condições para receber pessoas como o Bruno, a mesma responsável refere que "nenhuma unidade no País está preparada", porque "a preocupação é salvar vidas, mas depois as vítimas com lesões graves são esquecidas".

PORMENORES

ACIDENTE

Bruno foi vítima de um acidente que envolveu uma ambulância do INEM, no Arneiro, em Faro. O caso foi resolvido em tribunal, que atribuiu responsabilidades criminais ao condutor da ambulância por ter passado um semáforo vermelho.

TECNOLOGIA

O novo sistema robotizado B--LIVE, desenvolvido pela Universidade de Aveiro e Centro de Medicina de Reabilitação Rovisco Pais, pode vir a ser uma alternativa para oferecer alguma autonomia a Bruno Paulino.

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