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Correio da Manhã

Portugal
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Senhorio de Vale fica sem mansão

Jacuzzi, sauna e piscina aquecida nunca foram problema para Vale e Azevedo, mesmo com a renda de 46 mil euros por mês, na mansão de quatro pisos no bairro mais caro de Londres. Ficou a dever todo o ano de 2008, no total de 416 mil euros. Só que o senhorio inglês teve entretanto de pedir um empréstimo ao banco, hipotecando a mansão como garantia – e esperava fazer face aos juros com as rendas do ex-presidente do Benfica. Como Vale nunca lhe pagou, John Marriott viu o banco ficar-lhe com a casa de 15 milhões. E adoeceu.
13 de Maio de 2009 às 00:30
Filipa Vale  e Azevedo, mulher do ex-presidente do Benfica, mostrou-se indignada por o senhorio ter denunciado à imprensa o calote do casal
Filipa Vale e Azevedo, mulher do ex-presidente do Benfica, mostrou-se indignada por o senhorio ter denunciado à imprensa o calote do casal

Depois de fugir à Justiça portuguesa, esta foi a primeira burla conhecida a Vale em Londres. No dia em que o pedido de extradição para cumprir pena no nosso país começou a ser analisado, John Marriott foi apresentar-se à imprensa à porta do Tribunal de Westminster.

Revelou que arrendara a casa de 15 milhões ao antigo presidente do Benfica sem saber quem ele era, e recordou um inquilino "simpático". Ele e o casal Azevedo chegaram a "socializar algumas vezes, até que eles deixaram de pagar". Vale justificou o calote de 416 mil euros com uma fuga de água e problemas na canalização, mas o senhorio garante que quis arranjar tudo. "Eles é que não deixaram."

Além disso, diz Marriott, a casa de quatro andares em Knigtsbridge, à distância de um quarteirão do magnata russo patrão do Chelsea, estava "em excelentes condições. É uma grande casa", mas por causa de Vale e Azevedo já não pertence ao britânico, apurou o CM. O imóvel acabou executado pelo banco, depois de Marriott não conseguir fazer face a um empréstimo – e tudo porque ainda hoje não conseguiu reaver os 416 mil euros de Vale.

Mas John Marriott, que nos últimos meses sofreu problemas graves de saúde, está na fila dos credores. À frente seguem os primeiros burlados, como o português Dantas da Cunha; e a seguir estão as várias vítimas internacionais, entre elas Samakuva, presidente da UNITA, ou um barão alemão, conforme o CM já avançou.

PRESIDENTE DA UNITA FICA SEM 800 MIL EUROS

O presidente da UNITA, Isaias Samakuva, foi um dos últimos alvos. Perante uma promessa do ex--líder do Benfica em investir 50 milhões de dólares em Angola, o político africano adiantou, num acto de "boa-fé", um milhão de dólares (800 mil euros) à empresa de Vale.

Samakuva informa Vale e Azevedo de que "a UNITA disponibiliza a terra necessária em Angola para a V&A financiar o projecto, sendo que esta dará sociedade ao partido no negócio". Vale aceita e fica registado no contrato que os 50 milhões de dólares entrarão nas contas da UNITA em 120 dias – transferidos em quatro parcelas. Para já, Valeespera por um milhão de dólares do partido na sua conta no Lloyds Bank, e garante que, 30 dias depois de receber, serão transferidos os primeiros dez milhões da V&A com vista ao investimento. Até hoje.

"ASSIM, ELE VAI CONTINUAR A ROUBAR PESSOAS"

Pedro Dantas da Cunha, credor de Vale no valor de 20 milhões de euros, depois de burlado há 12 anos no negócio de um prédio no Areeiro, Lisboa, contava deslocar-se hoje a Londres para assistir à audiência final – mais uma vez foi adiada pelo Supremo Tribunal a decisão sobre a extradição do ex--presidente do Benfica para Portugal. Vale tem sete anos e meio de cadeia para cumprir, mas a apreciação do seu recurso foi ontem adiada para depois de 8 de Junho. "Acho mal, porque vai permitir que continue a roubar pessoas. Mas o meu dinheiro já não tenho esperança de vê-lo", diz Dantas da Cunha.

PORMENORES

PEDIDO DE EXTRADIÇÃO

Vale e Azevedo tem um pedido de extradição para cumprir sete anos e seis meses de prisão por falsificação e burla no ‘caso Dantas da Cunha’.

MANDADO DE DETENÇÃO 

Um mandado europeu foi emitido a 11 de Junho de 2008 e o provimento do Tribunal de Westminster dado a 27 de Novembro.

REGRESSO PREMATURO

A defesa diz que um regresso a Portugal é prematuro, visto que ainda não foi feito o cúmulo jurídico das penas.

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